Queijaria artesanal é o eixo central das ações apresentadas pelo Governo de São Paulo no Dia Mundial do Queijo, celebrado nesta terça-feira (20), ao detalhar os avanços na qualificação da produção artesanal no estado.
Os resultados incluem investimentos em capacitação técnica, inovação, certificação e turismo rural, com impacto direto na ampliação de oportunidades para produtores e no fortalecimento da cadeia queijeira como vetor de desenvolvimento regional.
As iniciativas fazem parte de uma política pública transversal que articula produção, identidade territorial e geração de renda. Segundo dados apresentados pelo governo estadual, o conjunto de ações busca consolidar a cadeia do queijo não apenas como atividade agroindustrial, mas também como ativo cultural e turístico, com foco em qualidade, segurança alimentar e valorização do produtor local.
Um dos pilares dessa estratégia é a criação dos Centros de Referência em Queijos Especiais, projeto estruturado a partir de uma cooperação internacional entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Embaixada da França no Brasil. Lançada em 2022, a iniciativa prevê a implantação de cinco centros-piloto, concebidos como polos regionais de disseminação tecnológica, formação de produtores e qualificação da produção artesanal.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o projeto integra uma política pública ampla voltada ao fortalecimento de toda a cadeia produtiva do queijo. Em declaração institucional, ele destacou que São Paulo vem estruturando ações que combinam capacitação técnica, agregação de valor, certificação artesanal simplificada e incentivo às rotas agroturísticas. A proposta, segundo o secretário, conecta produção, território e turismo, ampliando oportunidades econômicas e garantindo padrões de qualidade e segurança alimentar.
Cooperação internacional e base técnica
O projeto é coordenado pela APTA Regional e envolve o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA) e a Defesa Agropecuária, além do Centro Paula Souza. A estrutura conta ainda com apoio da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP) e de especialistas franceses reconhecidos pela tradição na produção de queijos artesanais e especiais.
De acordo com os coordenadores técnicos, a cooperação internacional contribui para a padronização de processos produtivos, a elevação da qualidade dos produtos e o fortalecimento da segurança alimentar, além de ampliar o reconhecimento dos queijos artesanais e de nicho produzidos no estado.
Formação e difusão do conhecimento
Em dezembro de 2025, foi realizado o primeiro treinamento do projeto, reunindo 15 multiplicadores que atuarão nos futuros Centros de Referência. A capacitação é direcionada a produtores, professores e profissionais do setor, com foco na diferenciação e valorização de queijos artesanais e especiais, cujos processos se distinguem dos modelos industriais tradicionais.
Durante a formação, foram abordados temas como boas práticas de higiene na ordenha, qualidade da água, nutrição animal, segurança alimentar e técnicas específicas de fabricação. Também foram discutidos aspectos técnicos e regulatórios que diferenciam queijos tradicionais — como muçarela, minas e prato — daqueles classificados como artesanais e especiais, muitos ainda em fase de regulamentação.
Segundo Daniel Gomes, coordenador da APTA Regional, o projeto representa um marco ao integrar pesquisa, ensino e iniciativa privada. Para ele, o objetivo é nivelar o conhecimento técnico e desenvolver tecnologias voltadas à criação de novos queijos especiais e de nicho, formando disseminadores capazes de multiplicar esse aprendizado em diferentes regiões do estado.
A coordenadora do projeto, Maria Isabel de Medeiros, pesquisadora da APTA Regional de Bauru, ressaltou que a iniciativa responde a uma demanda estrutural do setor: a escassez de mão de obra qualificada. Segundo ela, pequenos produtores e agricultores familiares enfrentam dificuldades para acessar profissionais especializados, e o programa busca formar futuros queijeiros e técnicos, assegurando qualidade e valorização da produção paulista.
Já a pesquisadora Leila Spadotti, do Ital, destacou o caráter multidisciplinar da ação. Para ela, a troca de experiências entre produtores, professores e pesquisadores ampliou a compreensão sobre os desafios e oportunidades da queijaria artesanal, criando uma base comum de conhecimento para expansão do projeto.
Crescimento e certificação
Os avanços na qualificação e na certificação se refletem nos números do Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP). No segmento industrial, o estado registra atualmente 97 queijarias certificadas, aptas a comercializar em todo o território paulista, frente a 70 em 2016 — crescimento de cerca de 37%.
No segmento artesanal, o avanço é ainda mais expressivo. São Paulo contabiliza hoje 104 queijarias artesanais registradas no SISP, contra apenas 19 em 2016, um aumento superior a 400%. O dado evidencia o impacto das políticas de incentivo, da modernização dos processos de inspeção e da ampliação do acesso à certificação para pequenos produtores.
Turismo rural e identidade territorial
Como complemento às ações produtivas, o governo estadual lançou a Rota do Queijo Paulista, iniciativa intersecretarial que conecta produção artesanal, turismo rural e gastronomia. O projeto organiza oito rotas temáticas, reunindo 102 propriedades em 77 municípios, além de 17 experiências e destinos queijeiros.
Inspirada em modelos como as Rotas do Vinho e do Café, a Rota do Queijo integra fazendas, queijarias e destinos turísticos, estimulando um segmento em expansão no estado e ampliando a geração de emprego e renda. A iniciativa envolve diversas secretarias e a InvestSP, reforçando a articulação entre agricultura, turismo, cultura e desenvolvimento econômico.
O conjunto de ações acompanha o crescente reconhecimento nacional e internacional dos queijos paulistas, que vêm conquistando premiações e ampliando presença em mercados especializados, consolidando São Paulo como um dos principais polos da queijaria artesanal no Brasil.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agência SP






