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21 jan 2026
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Preços ao produtor em queda, consumo moderado e cenário internacional instável marcam o início de 2026 no mercado de leite 🐄
O mercado de leite brasileiro começa 2026 impactado por preços baixos, oferta elevada e incertezas econômicas e geopolíticas 🌍
O mercado de leite brasileiro começa 2026 impactado por preços baixos, oferta elevada e incertezas econômicas e geopolíticas 🌍

O mercado de leite inicia 2026 em um ambiente de oferta elevada, preços pressionados e margens cada vez mais estreitas ao longo da cadeia produtiva, segundo a Nota de Conjuntura do Mercado de Leite e Derivados, elaborada pela equipe do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, com base em dados consolidados até janeiro deste ano.

No cenário internacional, a produção global de lácteos permanece elevada nos principais países produtores e exportadores. Argentina e Uruguai, fornecedores relevantes para o Brasil, registraram aumento de produção entre 7% e 8% em novembro de 2025, na comparação anual.

Ainda assim, o primeiro leilão do Global Dairy Trade (GDT) em 2026 apresentou forte alta nas cotações, movimento interpretado pelos analistas como uma correção pontual após um período prolongado de preços fortemente pressionados.

Apesar desse ajuste, o ambiente externo segue marcado por elevada incerteza. Instabilidades políticas na Venezuela e no Irã, somadas à continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia, adicionam volatilidade às expectativas globais.

Para 2026, a avaliação técnica é de que o crescimento da produção mundial de leite tende a ser mais moderado do que em 2025, reflexo direto de margens de rentabilidade mais apertadas em diversos elos da cadeia láctea internacional.

No Brasil, o quadro macroeconômico é descrito como relativamente estável, embora com sinais claros de desaceleração do crescimento.

A massa total de rendimentos alcançou R$ 369 bilhões em novembro de 2025, acima dos R$ 352 bilhões observados no mesmo período do ano anterior, mas com ritmo de expansão inferior ao registrado entre 2023 e 2024.

As vendas no varejo cresceram apenas 2% nos últimos 12 meses, reforçando um cenário de consumo mais contido.

As projeções para o Produto Interno Bruto em 2026 apontam crescimento de 1,8%, abaixo do desempenho esperado para 2025, estimado em cerca de 2,25%. Os agentes econômicos projetam inflação mais próxima da meta ao longo do ano, embora em um ambiente de juros elevados.

A eleição presidencial adiciona componentes de volatilidade cambial e expectativa de aumento dos gastos públicos, ao mesmo tempo em que o endividamento das famílias levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do atual nível de atividade econômica.

Nesse contexto, a aprovação do Acordo Comercial Mercosul–União Europeia, ocorrida em janeiro de 2026, introduz um vetor adicional de expectativa.

O acordo ainda depende de ratificação, mas prevê a eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% dos produtos comercializados entre os blocos. Para o setor de lácteos, estão previstas cotas com isenção tarifária para leite em pó e queijos, em volumes considerados pouco expressivos diante do tamanho e do potencial produtivo dos dois mercados.

Alguns segmentos, no entanto, permanecem protegidos. O queijo muçarela ficou fora do acordo e continuará sujeito às tarifas vigentes para acesso ao mercado europeu. Já a manteiga terá redução imediata de 30% nas tarifas em ambos os blocos.

De modo geral, a avaliação técnica é de que o setor lácteo seguirá relativamente protegido do ponto de vista comercial, com maior impacto potencial nos queijos de maior valor agregado.

No mercado doméstico, o aumento da produção de leite e a manutenção de importações em patamar elevado — apesar de queda de 6% em 2025 — mantêm a oferta de lácteos elevada no curto prazo.

Esse cenário tem pressionado os preços tanto no varejo quanto ao produtor. Em 2025, os preços ao consumidor recuaram 4%, contribuindo para conter a inflação geral do país.

Para o produtor, contudo, o ajuste foi mais severo. O preço pago no final de 2025 caiu para USD 0,40 por quilo, enquanto o mercado spot operava em torno de USD 0,36 por quilo, aproximando-se do valor pago na Argentina, estimado em USD 0,33 por quilo.

Essas referências reduzem a atratividade das importações no curto prazo e indicam possibilidade de continuidade da queda dos volumes importados, caso as condições atuais se mantenham.

A análise conclui que o mercado de leite entra em 2026 em um processo de ajuste, com preços mais baixos, margens comprimidas e elevada cautela por parte dos agentes.

O equilíbrio entre oferta, demanda e rentabilidade dependerá não apenas do comportamento da produção e do consumo internos, mas também da evolução do cenário macroeconômico e das tensões internacionais ao longo do ano.

*Escrito por Valéria Hamann para o eDairyNews, com informações de CILEITE – Centro de Inteligencia do Leite

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