Whey protein costuma ser associado a halteres, academias e corpos jovens em busca de definição muscular.
Mas, longe dos espelhos e dos treinos intensos, o suplemento à base do soro do leite começa a aparecer em outro cenário: o da terceira idade. A pergunta é direta e cada vez mais comum entre famílias e profissionais de saúde: idosos podem consumir whey protein? A resposta existe, mas vem acompanhada de condicionantes importantes.
Extraído do soro do leite, o whey protein é classificado como uma proteína de alto valor biológico. Isso significa que contém todos os aminoácidos essenciais de que o organismo precisa e apresenta rápida absorção. Essas características explicam sua popularidade no universo esportivo, mas também despertam interesse em fases da vida marcadas por um desafio silencioso: a perda progressiva de massa muscular.
Com o avanço da idade, o corpo naturalmente reduz sua capacidade de manter músculos e força. Esse processo, conhecido como sarcopenia, está diretamente relacionado à diminuição da mobilidade, da autonomia e ao aumento do risco de quedas — uma das principais causas de hospitalização entre idosos. É nesse contexto que o whey protein passa a ser analisado além da lógica do desempenho físico.
Consultada pela CNN Brasil, a nutricionista Giselli Prucoli afirma que o suplemento pode, sim, atuar como um aliado na prevenção da perda muscular associada ao envelhecimento. Segundo a profissional, o aporte adequado de proteínas favorece a recuperação física e contribui para a manutenção da força, especialmente quando combinado a algum nível de atividade física adaptada à idade.
A especialista destaca que a discussão não gira em torno de substituir refeições, mas de complementar a dieta quando a ingestão proteica é insuficiente. Em muitos casos, o idoso come menos, perde o apetite ou encontra dificuldades para consumir carnes, ovos ou laticínios em quantidades adequadas. Nessas situações, o whey protein surge como uma alternativa prática, de fácil preparo e digestão.
O geriatra Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, reforça esse ponto ao explicar que dietas pobres em proteína são comuns entre idosos. De acordo com o médico, quando há déficit nutricional, o suplemento pode desempenhar um papel relevante no cuidado global com a saúde, desde que seu uso seja orientado por um profissional. Para ele, o problema não está no produto em si, mas no consumo sem avaliação clínica.
Essa necessidade de orientação médica é um consenso entre os especialistas. Nem todo idoso deve consumir whey protein indiscriminadamente. Condições pré-existentes, como doenças renais, alterações metabólicas ou restrições alimentares específicas, exigem cautela. A individualização do cuidado é o que define se o suplemento será um aliado ou apenas mais um item desnecessário na rotina.
Além do whey protein, outro suplemento frequentemente citado no contexto do envelhecimento é a creatina. Conhecida por fornecer energia rápida aos músculos, ela pode auxiliar idosos que enfrentam perda de força ou dificuldade de locomoção. No entanto, seu uso também não é universal. A nutricionista Giselli Prucoli alerta que a creatina não deve ser utilizada por pacientes com problemas renais ou com restrição de líquidos, reforçando novamente a importância da avaliação profissional.
Segundo a especialista, quando indicada, a creatina deve ser consumida diluída em água ou suco, nunca em jejum. O objetivo não é potencializar desempenho atlético, mas contribuir para a funcionalidade muscular e a qualidade de vida, especialmente em atividades do dia a dia, como caminhar, levantar-se ou subir escadas.
No fim das contas, o debate sobre whey protein na terceira idade revela uma mudança de olhar sobre nutrição e envelhecimento. O suplemento deixa de ser um símbolo exclusivo da estética fitness e passa a integrar discussões mais amplas sobre saúde preventiva, autonomia e bem-estar ao longo do tempo.
Para o público geral, especialmente em uma leitura de fim de semana, a mensagem é clara: whey protein não é uma solução mágica nem um vilão. Pode ser útil, pode ajudar, mas nunca substitui uma alimentação equilibrada nem dispensa acompanhamento médico. Envelhecer bem continua sendo um projeto construído com informação, escolhas conscientes e, acima de tudo, cuidado individualizado.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de MIX






