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27 jan 2026
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Usuários de GLP-1 no Reino Unido são jovens, ricos e exigentes — e estão forçando mudanças em produtos, canais e porções 🍽️
Menos apetite, mais critério: o impacto do GLP-1 nas decisões de compra de alimentos 🇬🇧
Menos apetite, mais critério: o impacto do GLP-1 nas decisões de compra de alimentos 🇬🇧

GLP-1 está reescrevendo as regras do consumo alimentar no Reino Unido, com efeitos diretos sobre inovação de produtos, formatos de venda e estratégias de canal no varejo e no foodservice.

O avanço dos medicamentos para controle de peso, inicialmente associados ao tratamento do diabetes, passou a influenciar de forma estrutural o comportamento de compra de um grupo específico de consumidores — jovens, ricos e altamente orientados à saúde.

Segundo dados da consultoria britânica Lumina Intelligence, o consumidor típico de GLP-1 no Reino Unido tem entre 25 e 35 anos, pertence a faixas de renda elevadas e apresenta hábitos de consumo distintos da média da população. De acordo com a empresa, cerca de 95% dos usuários de GLP-1 no país vivem em lares com renda anual superior a £100 mil.

Em entrevista, a líder de insights da Lumina Intelligence, Flora Zwolinski, explicou que esse público “exerce forte poder de compra, frequenta mais o consumo fora do lar e busca opções alimentares alinhadas a desempenho físico e saúde”. Ainda segundo a executiva, trata-se majoritariamente de jovens profissionais, com estilo de vida urbano e maior disposição para pagar por conveniência e qualidade nutricional.

Os dados indicam que esses consumidores praticam mais atividade física, priorizam alimentos ricos em proteína e fibra e se definem como “muito orientados à saúde”. Esse perfil ajuda a explicar por que categorias como iogurtes proteicos, snacks funcionais e refeições compactas com alta densidade nutricional vêm registrando crescimento acima da média.

No Reino Unido, grandes redes varejistas como Asda, Co-Op, Morrisons e Marks & Spencer lançaram linhas de refeições prontas com foco em proteína, fibras e controle calórico. Analistas do setor interpretam esses lançamentos como uma resposta direta à mudança nos padrões alimentares associados ao uso de GLP-1.

Apesar do debate em torno dos alimentos ultraprocessados, Zwolinski afirma que refeições prontas podem atender a uma necessidade real desse público. Segundo ela, “há usuários de medicamentos para perda de peso que sofrem efeitos colaterais por não ingerirem nutrientes suficientes. Uma refeição compacta e densa em nutrientes pode ser exatamente o que procuram”.

O efeito de supressão do apetite também altera a frequência e o tipo de compra. De acordo com a Lumina Intelligence, usuários de GLP-1 cozinham menos e demonstram preferência por alimentos congelados, enlatados e de longa duração, reduzindo o risco de desperdício. Há, ainda, sobreconsumo de iogurtes, reforçando a relevância de laticínios com alto teor proteico.

Por outro lado, os dados mostram uma leve redução no consumo de carne e de laticínios em geral, reflexo direto da menor ingestão calórica total. Essa mudança não elimina a demanda, mas pressiona marcas a repensarem porções, formulações e valor nutricional agregado.

O perfil geográfico também chama atenção. A maioria dos usuários de GLP-1 no Reino Unido vive em Londres, região que apresenta algumas das menores taxas de obesidade do país. Para a consultoria, isso reforça que o uso dos medicamentos não está ligado apenas à obesidade, mas a objetivos estéticos, de bem-estar e desempenho.

Outro ponto relevante é o canal de compra. Usuários de GLP-1 tendem a frequentar menos grandes supermercados e a comprar com maior regularidade em lojas de conveniência. A combinação entre menor apetite e hábitos urbanos favorece compras “pouco e frequentes”, segundo Zwolinski, abrindo espaço para novos formatos de distribuição e embalagens menores.

Embora o Reino Unido apresente um perfil distinto dos Estados Unidos — onde o uso de GLP-1 é mais comum entre consumidores de 50 a 64 anos —, há uma convergência clara: em ambos os países, o uso é maior entre consumidores de renda mais alta. Nos EUA, dados do instituto KFF mostram maior adesão entre pessoas com seguro de saúde, enquanto no Reino Unido o fator renda é determinante.

Esse cenário, no entanto, tende a mudar. O sistema público de saúde britânico iniciou a oferta gradual de medicamentos GLP-1 para controle de peso, o que pode ampliar o perfil socioeconômico dos usuários nos próximos anos. Com isso, especialistas avaliam que a pressão por produtos acessíveis, funcionais e nutricionalmente equilibrados deve se intensificar.

🧭 Executive brief  

Por que importa: O avanço do GLP-1 está alterando padrões de consumo alimentar, afetando diretamente inovação, canais e portfólio no setor de alimentos e laticínios.

O que está acontecendo: No Reino Unido, usuários de GLP-1 são majoritariamente jovens, ricos e orientados à saúde. Eles comem menos, compram com mais frequência, priorizam proteína, fibra e conveniência, e evitam desperdício.

O que muda para o setor lácteo: Há crescimento em iogurtes proteicos e produtos funcionais, mas pressão sobre porções, frequência de consumo e formulações tradicionais. Densidade nutricional passa a valer mais que volume.

Riscos de não agir: Marcas que mantiverem portfólios focados em porções grandes, baixo valor funcional ou canais inadequados podem perder relevância junto a um público de alto poder de compra.

Decisões que habilita: Revisão de portfólio, ajuste de porções, foco em proteína e fibra, expansão em conveniência e preparação para um mercado mais amplo à medida que o GLP-1 se populariza.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

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