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27 jan 2026
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O acordo Mercosul-UE gera dúvidas, pressiona a competitividade e amplia a incerteza no setor queijeiro uruguaio, segundo a ADE Colonia Este ⚠️
Com importações em alta e fechamentos industriais, o acordo Mercosul-UE aprofunda o nervosismo no setor queijeiro do Uruguai 📉
Com importações em alta e fechamentos industriais, o acordo Mercosul-UE aprofunda o nervosismo no setor queijeiro do Uruguai 🧀

O acordo Mercosul-UE intensificou o clima de incerteza no setor queijeiro uruguaio, um segmento que já convive há anos com problemas estruturais de competitividade, fechamento de indústrias e aumento das importações.

A avaliação foi expressa pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Este de Colonia (ADE), que alertou para os riscos que o tratado representa tanto para o mercado externo quanto, de forma crescente, para o mercado interno.

Em comunicado oficial, a ADE destacou que a falta de competitividade do setor queijeiro determinou, nos últimos anos, o encerramento de importantes plantas industriais no país, ao mesmo tempo em que se observou um crescimento significativo das importações, principalmente provenientes da Argentina e de países da União Europeia.

Segundo a entidade, esse movimento pressiona toda a cadeia produtiva, do pequeno produtor às indústrias de maior porte.

Alejandro Dellature, presidente da agência, afirmou que o acordo Mercosul-UE gera mais dúvidas do que tranquilidade. Em declarações à imprensa uruguaia, ele descreveu o cenário como “desafiante” para um setor que, segundo ressaltou, não enfrenta ameaças recentes, mas acumuladas ao longo de vários anos.

Para Dellature, a principal carência neste momento é o acesso a informações claras que permitam ao setor compreender a que tipo de concorrência estará exposto.

Entre os pontos que mais preocupam estão as regras de proteção das indicações geográficas dos queijos europeus e a forma como essas normas serão aplicadas no mercado uruguaio e no âmbito do Mercosul. Outra incerteza central diz respeito ao cronograma e à profundidade das preferências tarifárias que poderão beneficiar a entrada de queijos europeus na região.

Dellature observou que esse processo não é apenas uma projeção futura. Segundo ele, a presença de queijos importados já vem aumentando nos últimos anos, o que acentua a pressão sobre os produtores nacionais.

Queijos uruguaios de alta qualidade, capazes de competir tecnicamente com produtos do Velho Continente, encontram no preço uma de suas principais barreiras, tanto no mercado internacional quanto no doméstico.

📌 O impacto não se limita às exportações. De acordo com a ADE, as ameaças passaram a se manifestar de forma mais intensa dentro do próprio mercado interno, afetando a sustentabilidade econômica de toda a cadeia.

Essa dinâmica, segundo a entidade, restringe ainda mais as possibilidades de crescimento do setor, que já enfrenta limitações de escala, dificuldades de acesso a mercados e ausência de avanços concretos na proteção de denominações de origem no Uruguai.

O contexto institucional reforça a relevância do alerta. A Agência de Desenvolvimento Econômico do Este de Colonia atua há 25 anos como espaço de articulação público-privada, com foco na integração produtiva, social e econômica da microrregião do Rio Rosario.

Entre seus eixos estratégicos estão a revalorização da produção de queijos, a integração territorial, o desenvolvimento do turismo e a internacionalização da produção.

Diante do novo cenário criado pelo acordo Mercosul-UE, a ADE considera urgente a abertura de um espaço formal de diálogo entre produtores e autoridades.

O objetivo, segundo o comunicado, é analisar de forma detalhada as implicações, ameaças e eventuais oportunidades do tratado, especialmente à luz de outros acordos já firmados, como o Mercosul-EFTA, que também impactam o setor.

Nesse processo, o Instituto Nacional do Leite (Inale) é apontado como um canal institucional chave para articular as conversas com o governo.

Dellature destacou que o Inale pode facilitar o acesso a informações e coordenar reuniões com diferentes órgãos, permitindo ao setor compreender sua posição atual e avaliar estratégias frente a variáveis como indicações geográficas, preferências tarifárias e acordos sanitários.

⚠️ Sobre os acordos sanitários, o presidente da ADE indicou que se espera um cenário de reciprocidade, embora o tema ainda demande esclarecimentos técnicos. Para o setor, a ausência de definições concretas amplia o grau de exposição e dificulta o planejamento de médio e longo prazo.

Por fim, ele observou que, desde o início das análises sobre “ganhadores e perdedores” do tratado, o setor queijeiro tem sido apontado, de forma fundamentada, como um dos mais vulneráveis.

Essa percepção, alimenta um nervosismo generalizado que envolve produtores, indústrias, trabalhadores e autoridades, em um momento em que decisões estratégicas exigem informação precisa e coordenação institucional.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de ADE

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