A proteína tornou-se um dos principais vetores de transformação do consumo alimentar nos Estados Unidos e está criando uma oportunidade estrutural de crescimento para o setor lácteo.
A avaliação consta de um novo relatório do CoBank Knowledge Exchange, que aponta a convergência entre mudanças no comportamento do consumidor, novas diretrizes nutricionais e tendências médicas como catalisadores de uma expansão sustentada da demanda por ingredientes lácteos ricos em proteína.
Segundo o CoBank, o apetite dos consumidores por alimentos e bebidas com maior teor proteico deixou de ser um nicho ligado ao esporte ou ao fitness e passou a influenciar decisões de compra em praticamente todas as categorias do varejo alimentar. Produtos de panificação, snacks, barras, bebidas prontas e suplementos vêm incorporando ingredientes lácteos para elevar o conteúdo de proteína e atender às novas expectativas do consumidor.
Para Corey Geiger, economista-chefe de lácteos do CoBank, o setor parte de uma posição competitiva singular. Ele destaca que os produtos lácteos oferecem proteína completa, contendo os nove aminoácidos essenciais exigidos pela dieta humana. Essa característica, segundo o economista, diferencia o dairy de outras fontes proteicas e amplia seu uso tanto como produto final quanto como ingrediente funcional.
Geiger observa ainda que processadores já atuantes em proteínas como whey, caseína e leite em pó estão especialmente bem posicionados, à medida que desenvolvedores de alimentos incorporam esses insumos em categorias muito além do corredor tradicional de lácteos.
Dados do International Food Information Council (IFIC) reforçam a magnitude da mudança. Em 2022, 59% dos consumidores americanos afirmaram tentar aumentar o consumo de proteína. Em 2023, esse percentual subiu para 67%, e em 2025 chegou a 70%, sinalizando uma tendência contínua e transversal entre faixas etárias.
Billy Roberts, analista sênior de alimentos e bebidas do CoBank, afirma que a proteína passou a ser um atributo central nas compras associadas à saúde. Segundo ele, os benefícios inerentes dos produtos lácteos os tornam particularmente atrativos para consumidores que ajustam a dieta por motivos de bem-estar, controle de peso ou alinhamento às novas diretrizes alimentares dos EUA.
Entre os fatores externos que ampliam essa demanda, o relatório destaca as novas Diretrizes Dietéticas dos Estados Unidos, publicadas em 7 de janeiro, que elevaram a recomendação diária de proteína para adultos de 0,8 g por quilo de peso corporal para um intervalo entre 1,2 e 1,6 g — um aumento de 50% a 100%.
Outro elemento estrutural é a expansão do uso de medicamentos GLP-1 para perda de peso, como Ozempic e Wegovy. Esses tratamentos vêm alterando padrões de consumo, com maior preferência por alimentos ricos em proteína, iogurtes, frutas, vegetais frescos, barras proteicas e snacks de carne. Dados da KFF indicam que 12% dos adultos americanos utilizavam medicamentos GLP-1 em novembro de 2025, número que deve crescer com a chegada de versões orais mais acessíveis.
Um estudo da Universidade Cornell identificou aumento nos gastos com iogurte e produtos proteicos entre usuários desses medicamentos. Paralelamente, a Danone reportou crescimento de dois dígitos em suas linhas de iogurtes ricos em proteína, acompanhando a aceleração dessa tendência.
Além do consumo, há um incentivo econômico claro. Produtos com alegação de “alto teor de proteína” podem capturar prêmios de preço de até 12%, segundo estimativas da Circana e de outras consultorias, transformando a proteína também em uma alavanca de rentabilidade.
No varejo, snacks e bebidas prontas para consumo despontam como categorias-chave. Embora apenas 17% dos consumidores priorizem proteína ao escolher snacks, o CoBank vê aí um espaço relevante para inovação com ingredientes lácteos. Já o mercado de shakes proteicos prontos cresceu 71% em quatro anos, com receitas saltando de US$ 4,7 bilhões para US$ 8,1 bilhões.
Para Geiger, essa combinação de fatores aponta para uma transformação duradoura. Segundo ele, a proteína láctea tende a ganhar espaço tanto como produto final quanto como ingrediente estratégico, reposicionando o setor no centro da próxima onda de inovação alimentar.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Farms.com






