O mercado de lácteos do Brasil deve apresentar um crescimento mais moderado em 2026, após o forte desempenho registrado ao longo de 2025.
A avaliação é do Rabobank, que aponta para um cenário de ajuste gradual, influenciado por preços ligeiramente mais baixos ao produtor no início do ano e por uma base de comparação elevada, resultado da expansão significativa observada no ciclo anterior.
Segundo Andrés Padilla, analista do Rabobank, a dinâmica do setor em 2026 será marcada por maior equilíbrio entre oferta e demanda. Pelo lado do consumo, a leitura é de que o ambiente macroeconômico tende a permanecer moderadamente favorável, criando sustentação para a demanda doméstica por lácteos ao longo do ano.
Padilla destaca que o início de um ciclo de corte de juros, o nível ainda elevado de gastos públicos e a manutenção do desemprego em patamares baixos compõem um conjunto de fatores que contribuem para preservar o poder de compra das famílias. “Esses elementos devem ajudar a sustentar o consumo de lácteos ao longo do próximo ano”, afirmou o analista, ao comentar as perspectivas para o mercado interno brasileiro.
Do lado da produção, o Rabobank avalia que os fundamentos permanecem relativamente sólidos, ainda que o ritmo de crescimento deva desacelerar. O desempenho de 2025 é descrito como especialmente positivo para os produtores de leite, com aceleração da produção primária no primeiro semestre, apoiada por custos de ração controlados, rentabilidade positiva e condições climáticas menos voláteis.
De acordo com Padilla, a menor ocorrência de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas severas, foi um diferencial relevante em relação aos anos anteriores. “Diferentemente dos anos recentes, houve menos problemas climáticos, o que facilitou o trabalho dos produtores”, afirmou. A expectativa do Rabobank é que 2025 seja encerrado com crescimento da produção de leite em torno de 6,8% em comparação com 2024.
Esse avanço expressivo cria uma base robusta para 2026, mas também impõe limites naturais à continuidade do ritmo observado. Para o banco, o ajuste nos preços ao produtor tende a atuar como um fator moderador da expansão, especialmente em um contexto em que a produção já atingiu um patamar elevado.
Na leitura do Rabobank, o ano de 2026 deve ser marcado menos por movimentos abruptos e mais por decisões estratégicas voltadas à eficiência operacional. A combinação de custos ainda controlados, porém com margens mais pressionadas, tende a favorecer produtores e empresas que priorizem gestão, escala e previsibilidade, em detrimento de estratégias agressivas de expansão.
Embora o relatório não aponte riscos imediatos de retração, o banco sinaliza que o desempenho do mercado de lácteos do Brasil em 2026 dependerá da capacidade do setor de absorver o ajuste de preços sem comprometer a rentabilidade. Nesse contexto, a leitura é de que o ambiente permanece construtivo, mas menos permissivo do que em 2025.
Com uma demanda doméstica resiliente e uma oferta que segue em expansão, ainda que em ritmo menor, o Rabobank avalia que o setor entra em uma fase de normalização. Para agentes da cadeia láctea, o cenário reforça a importância de decisões calibradas, com foco em eficiência produtiva e leitura atenta dos sinais macroeconômicos que moldarão o consumo ao longo do próximo ano.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Feed & Food






