ESPMEXENGBRAIND
28 jan 2026
ESPMEXENGBRAIND
28 jan 2026
🌱 Desenvolvido por cientistas australianos, o plástico de leite se decompõe no solo em cerca de 13 semanas e pode virar alternativa às embalagens descartáveis.
♻️ Pesquisadores usam proteínas do leite, amido e argila para criar plástico biodegradável que desaparece no solo em pouco mais de três meses.
♻️ Pesquisadores usam proteínas do leite, amido e argila para criar plástico biodegradável que desaparece no solo em pouco mais de três meses.

O plástico de leite deixou de ser apenas um conceito experimental e passou a ganhar forma como uma alternativa biodegradável aos materiais derivados do petróleo, segundo pesquisadores da Universidade Flinders, no sul da Austrália.

Em testes laboratoriais, o material foi capaz de se decompor completamente no solo em cerca de 13 semanas, um desempenho considerado rápido quando comparado aos plásticos convencionais usados em embalagens descartáveis.

A pesquisa descreve o desenvolvimento de um filme fino e flexível produzido a partir de caseinato de cálcio, derivado da principal proteína do leite, combinado com amido modificado e nanocargas naturais de argila bentonita. A formulação recebeu ainda glicerol e álcool polivinílico, utilizados para melhorar resistência mecânica e flexibilidade, características essenciais para aplicações em embalagens de curto ciclo de uso.

Os resultados foram publicados na revista científica Polymers e fazem parte de um conjunto de estudos que buscam substituir plásticos fósseis por biopolímeros abundantes, de baixo custo e com menor impacto ambiental. Segundo os autores, o foco não está apenas na biodegradabilidade, mas também na viabilidade técnica e funcional do material.

Ensaios de biodegradação mostraram que o plástico de leite apresenta um processo contínuo de desintegração quando exposto a condições normais de solo. Ao longo das semanas, o filme perde massa e integridade estrutural, até desaparecer completamente por volta da 13ª semana. Esse comportamento reforça o potencial do material para usos como embalagens alimentícias, sacolas leves e filmes protetores descartáveis.

Além da degradação acelerada, os pesquisadores também avaliaram aspectos microbiológicos. Os testes indicaram baixa toxicidade ambiental, com crescimento bacteriano dentro dos limites considerados aceitáveis para materiais biodegradáveis sem função antimicrobiana. Esse ponto é relevante em um contexto no qual a presença de microplásticos e aditivos químicos no ambiente vem sendo associada a riscos ecológicos e à saúde humana.

De acordo com o professor Youhong Tang, do Instituto Flinders de Ciência e Tecnologia em Nanoescala, avaliações adicionais ainda serão necessárias, especialmente em relação ao comportamento antibacteriano do material em diferentes aplicações. Ele destaca que plásticos convencionais podem conter milhares de substâncias químicas, algumas delas associadas a efeitos tóxicos e até cancerígenos, o que amplia o interesse por alternativas de origem biológica.

A pesquisa contou com colaboração internacional, envolvendo o engenheiro químico Nikolay Estiven Gomez Mesa e a professora Alis Yovana Pataquiva-Mateus, da Universidade Jorge Tadeo Lozano, em Bogotá. Segundo Gomez Mesa, experimentos iniciais com caseinatos já haviam demonstrado propriedades compatíveis com polímeros utilizados em embalagens comerciais, especialmente quando processados em escala nanométrica.

A introdução de amido modificado e nanocargas de bentonita teve papel central na melhoria das propriedades do filme, aumentando resistência mecânica e capacidade de barreira, sem comprometer a proposta de usar ingredientes biodegradáveis e amplamente disponíveis. Para os pesquisadores, esse equilíbrio é fundamental para que materiais desse tipo possam sair do laboratório e chegar ao mercado.

O estudo se insere em um cenário de pressão global crescente contra o plástico descartável. Estimativas citadas pelos autores indicam que cerca de 60% de todos os plásticos produzidos no mundo são de uso único e que apenas aproximadamente 10% acabam efetivamente reciclados. A produção global, que era de cerca de 2 milhões de toneladas em 1950, atingiu aproximadamente 475 milhões de toneladas em 2022, com tendência de crescimento contínuo.

Nesse contexto, soluções como o plástico de leite passam a ser vistas não como substitutos universais, mas como alternativas estratégicas para aplicações específicas, especialmente aquelas de curta duração. Para o consumidor final, a ideia de um plástico que literalmente “some” no solo em poucos meses adiciona um elemento quase lúdico à discussão ambiental — sem perder de vista a urgência de reduzir resíduos persistentes em ecossistemas terrestres e aquáticos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Click Petróleo e Gás

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta