Identidade regional orienta a nova estratégia da Alvoar para ampliar sua presença no mercado de leite e derivados.
Com investimento de R$ 7,8 milhões, a companhia está reposicionando sua principal marca no segmento de leite UHT, a Betânia, com o objetivo de aproximá-la ainda mais do consumidor nordestino e sustentar metas de crescimento.
A Alvoar — maior captadora de leite do Nordeste e quinta maior do país — registrou faturamento de R$ 5,9 bilhões em 2025. Segundo a diretora de Marketing da Betânia, Cynthia Serretti, a marca tem papel central na operação. “A Betânia é uma marca muito estratégica para a Alvoar, representa mais de 50% do negócio e qualquer ponteiro que a gente mexe na Betânia, a gente entrega valor para a Alvoar”, afirma.
A executiva acrescenta que a companhia projeta crescimento de 6% no faturamento total neste ano, e a nova estratégia deve contribuir para esse avanço. O movimento sinaliza uma leitura de mercado em que diferenciação cultural e proximidade com o consumidor ganham peso competitivo, especialmente em regiões onde marcas nacionais disputam espaço com players locais.
De acordo com Serretti, o plano é replicar a experiência aplicada à Camponesa, outra marca do portfólio surgido após a fusão entre Betânia e Embaré, há quatro anos. Líder em vendas de leite em pó, a Camponesa passou por um reposicionamento para ocupar uma faixa mais premium.
“A gente posicionou a Camponesa como uma marca mais premium e agora chegou a hora da Betânia. A estratégia é colocá-la no lugar que a gente entende que é o lugar dela, como uma marca icônica de lácteos, contando essa história e conectando-se com esse consumidor nordestino”, detalha a diretora.
A força dessa narrativa está ancorada na própria estrutura de abastecimento. Fundada pelo empresário cearense Luiz Prata Girão, a marca se apoia na captação diária de 2,9 milhões de litros de leite realizada pela Alvoar junto a cerca de cinco mil produtores locais. Segundo Serretti, a presença da empresa contribuiu para transformar a produção leiteira na região — especialmente no Ceará.
“Quando a gente fez a primeira mudança de posicionamento da Betânia, começou a entender o quão importante era contar a história dessa bacia leiteira”, diz.
Após herdar um pequeno laticínio em 1935, Girão passou a investir na produção de leite em uma área até então dominada pela pecuária de corte. A iniciativa incluiu o leasing de vacas e bezerros e o estímulo para que pequenos pecuaristas migrassem para a atividade leiteira, ampliando a base produtiva regional ao longo das décadas.
O novo reposicionamento também envolve mudanças visuais e de comunicação. As embalagens passam a trazer receitas de pratos locais, enquanto as campanhas publicitárias incorporam personalidades regionais — uma combinação que busca reforçar pertencimento e reconhecimento de marca no ponto de venda.
Além do leite UHT, a companhia pretende elevar sua participação no segmento de iogurtes de 18% para 20% nas áreas onde atua, que abrangem o Nordeste e o norte de Minas Gerais. O avanço, ainda que moderado, indica foco em ganhos graduais de share em categorias de maior valor agregado.
Com sete fábricas e uma rede de cinco mil fornecedores de leite distribuídos pelo Nordeste e Minas Gerais, a Alvoar reforça uma estratégia em que escala produtiva e identidade territorial caminham juntas — um vetor que tende a influenciar decisões de portfólio, marketing e competição regional nos próximos ciclos do setor.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Globo Rural






