O recall de fórmulas infantis iniciado no começo de janeiro levou autoridades do Reino Unido a investigar 36 casos prováveis de intoxicação alimentar em bebês que teriam consumido produtos distribuídos antes do recolhimento.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pela Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA).
Segundo o órgão, os episódios envolvem sintomas compatíveis com intoxicação alimentar, entre eles vômitos persistentes, e permanecem sob análise epidemiológica. Os casos são classificados como prováveis porque os produtos afetados circularam amplamente no mercado antes da retirada, o que aumenta a complexidade do rastreamento.
Diante do cenário, hospitais britânicos foram orientados a reforçar a atenção para sinais clínicos semelhantes em crianças pequenas. Ainda assim, a agência afirma que os indicadores atuais de vigilância não apontam um aumento incomum nos relatos de vômitos em menores de um ano para esta época do ano, embora o monitoramento continue.
Recall iniciado após detecção de toxina
A Nestlé anunciou o recall voluntário e preventivo em 6 de janeiro, depois que análises periódicas de qualidade identificaram a possível presença da toxina cereulide em um ingrediente utilizado na fabricação das fórmulas. A substância pode ser produzida pela bactéria Bacillus cereus e está associada a náuseas, diarreia, letargia e episódios de vômito que costumam surgir até seis horas após a ingestão.
Na ocasião do anúncio, a empresa declarou não haver registros confirmados de reações adversas relacionadas aos produtos incluídos no recall em nenhuma parte do mundo. A recomendação foi para que consumidores interrompessem imediatamente o uso dos lotes afetados e buscassem devolução com reembolso.
Entre as marcas recolhidas na Europa estavam SMA, BEBA e NAN, conforme comunicados corporativos.
Autoridades esperavam ocorrência limitada de casos
Em nota, a UKHSA afirmou que, considerando a ampla disponibilidade dos produtos antes do recall, a identificação de alguns episódios compatíveis com intoxicação alimentar era considerada possível. O órgão não detalhou quantos dos 36 casos estão associados a cada marca ou produto específico.
O episódio ganhou maior dimensão após a agência Reuters informar que a preocupação com a possível presença da toxina levou a recolhimentos em dezenas de países, ampliando a atenção de autoridades sanitárias e o nível de alerta entre pais e cuidadores.
Cerca de duas semanas depois do anúncio da Nestlé, a Danone também comunicou o recolhimento de um lote de sua fórmula Aptamil, igualmente por precaução.
Posição da empresa e investigação interna
Em comunicado, a Nestlé afirmou atuar em cooperação com as autoridades competentes e reiterou que qualidade e segurança dos alimentos são prioridades. A companhia informou ter conduzido uma investigação interna que apontou falha em um ingrediente fornecido por um terceiro.
O fornecedor foi notificado, e os protocolos de controle de qualidade foram reforçados para evitar recorrências, segundo a empresa.
Orientações a pais e cuidadores
As autoridades de saúde reforçam que produtos incluídos nos recalls não devem ser consumidos. Pais e cuidadores devem procurar orientação médica caso identifiquem sintomas compatíveis com intoxicação alimentar após o uso de fórmulas pertencentes aos lotes afetados.
Consumidores que ainda possuírem os produtos devem interromper o uso imediatamente e entrar em contato com o atendimento da Nestlé para devolução gratuita e reembolso integral.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de G1






