O sorvete é hoje uma das sobremesas mais consumidas e apreciadas do mundo, reconhecido pela textura cremosa e pela enorme diversidade de sabores. Presente em diferentes culturas e estações do ano, o produto atravessou milênios até alcançar a forma que conhecemos atualmente.
De acordo com a definição da Real Academia Espanhola, o sorvete é um alimento doce elaborado geralmente com leite ou suco de frutas e consumido em determinado grau de congelamento. O processo envolve bater a mistura em baixa temperatura para evitar cristais de gelo e garantir uma consistência leve e aerada — característica central da experiência sensorial do produto.
A composição pode variar conforme o país e a receita, mas costuma incluir leite ou derivados lácteos, gordura láctea, edulcorantes, aditivos e frutas. Essa flexibilidade explica parte de sua popularidade e capacidade de adaptação a diferentes tradições gastronômicas.
Origens envoltas em história e tradição
Não existe uma única versão definitiva sobre o surgimento do sorvete, mas há registros que apontam para práticas muito antigas. Indícios situam uma preparação semelhante entre 4000 e 3000 a.C., na China, onde se misturavam arroz ou pasta de arroz com frutas, especiarias e neve trazida das montanhas.
Na Pérsia do século V a.C., relatos mencionam um doce gelado preparado com água de rosas e fios de massa, resfriado com gelo e frequentemente combinado com frutas ou açafrão. Já figuras históricas como Alexandre, o Grande, e o imperador romano Nero teriam enviado servos às montanhas para coletar neve que seria misturada a frutas ou vinho.
Durante a Idade Média, os árabes desenvolveram uma versão inicial do sorbet ao combinar frutas, açúcar e gelo — uma evolução importante na busca por sabores mais refinados e técnicas de conservação.
A chegada à Europa e o “pai do sorvete”
Uma das narrativas mais difundidas atribui a Marco Polo a introdução de receitas de sobremesas geladas na Europa após suas viagens ao Oriente, no século XIII. Essas preparações rapidamente conquistaram as cortes italianas.
No entanto, a figura mais associada ao sorvete moderno é o siciliano Francesco Procopio dei Coltelli. No século XVII, ele aperfeiçoou uma máquina capaz de produzir uma textura mais fina e cremosa. Em 1686, abriu o Café Procope, em Paris — frequentemente considerado a primeira sorveteria da Europa — onde passou a servir suas criações.
O sucesso foi imediato entre a aristocracia, e relatos indicam que o rei Luís XIV chegou a felicitá-lo. Sob seu reinado, surgiram sabores como baunilha, chocolate e creme de leite, consolidando o produto como símbolo de sofisticação.
Já no início do século XX, a invenção de máquinas com cilindro congelado e pás mecânicas ajudou a padronizar a produção e ampliar o acesso ao sorvete.
Variedade para todos os paladares
Atualmente, o mercado oferece diversas categorias. O sorvete tradicional é feito com leite, creme e açúcar, enquanto o sorbet não leva ingredientes lácteos e costuma ser mais leve. O granizado combina gelo triturado com sucos, e o sorvete soft — servido diretamente da máquina — apresenta textura ainda mais macia.
Consumo e marcas reconhecidas
Dados do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação indicam que cada espanhol consumiu cerca de 3 litros de sorvete por ano, totalizando mais de 140 milhões de litros entre junho de 2023 e maio de 2024. A maior disponibilidade em supermercados e o crescimento das sorveterias artesanais ajudam a explicar o volume.
Entre as marcas destacadas no mercado espanhol estão Häagen-Dazs, conhecida pela cremosidade e ingredientes selecionados; Ben & Jerry’s, famosa por combinações criativas e forte apelo entre os jovens; e Carte d’Or, associada a sabores clássicos voltados ao consumo familiar.
Da neve transportada das montanhas às vitrines refrigeradas, o sorvete revela uma trajetória marcada por inovação, cultura e prazer — um exemplo de como tradições antigas podem se transformar em hábitos globais.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Mundo Lácteo






