Lácteos integrais voltaram ao centro da conversa alimentar após uma declaração do gastroenterologista Facundo Pereyra na televisão argentina, que surpreendeu o público ao afirmar que os produtos descremados perderam espaço diante de uma nova visão sobre gordura, dieta e escolhas cotidianas.
Durante participação no programa La Cocina Rebelde, o médico foi direto ao responder qual versão do leite seria a mais indicada. “Morreram os lácteos descremados”, afirmou diante do público, associando sua posição ao que descreveu como uma atualização da pirâmide alimentar dos Estados Unidos, na qual o lácteo integral aparece entre as principais recomendações.
A frase, de forte impacto, rapidamente desloca a discussão para um ponto sensível do consumo moderno: a reavaliação da gordura. Segundo Pereyra, descobriu-se que ela não é prejudicial como se acreditava anteriormente. Pelo contrário, destacou que a gordura seria benéfica para as células, sugerindo uma mudança de percepção nutricional que pode influenciar escolhas cotidianas.
O comentário também incluiu uma crítica indireta ao consumo elevado de cereais, que, de acordo com o médico, não deveriam ocupar espaço tão dominante em uma dieta considerada saudável. A combinação dessas duas ideias aponta para um modelo alimentar menos centrado em produtos tradicionalmente associados ao conceito de “light”.
Embora a fala tenha ocorrido em um ambiente descontraído, típico de programas culinários, seu efeito se amplia justamente por atingir um público amplo e não especializado. Quando mensagens nutricionais aparecem em formatos de entretenimento, tendem a circular com rapidez e moldar percepções de consumo quase em tempo real.
Outro trecho da participação trouxe uma abordagem prática sobre os chamados “permitidos”, termo comum em estratégias alimentares. Pereyra preferiu substituí-lo por “prazeres”, defendendo que eles podem ser incorporados uma ou duas vezes por semana.
A recomendação veio acompanhada de uma regra simples: um prazer é aceitável, dois seguidos não. Segundo ele, a repetição elevaria a dopamina no cérebro e aumentaria o risco de retorno a hábitos considerados negativos. A proposta sugere um equilíbrio entre disciplina e satisfação, conceito que costuma ganhar aderência quando apresentado de forma clara.
O conjunto das declarações revela uma tendência comunicacional cada vez mais presente na nutrição popular: simplificar mensagens complexas em princípios fáceis de lembrar. Expressões categóricas, como a suposta “morte” dos descremados, funcionam como atalhos cognitivos para o público e ajudam a consolidar narrativas alimentares.
Para consumidores, o episódio sinaliza como recomendações nutricionais continuam em transformação e sujeitas a interpretações públicas. Já para quem acompanha o comportamento alimentar, a cena evidencia o poder da televisão em transformar opiniões médicas em conversas de fim de semana, capazes de atravessar a mesa do café da manhã até o carrinho do supermercado.
Entre gordura reabilitada, cereais questionados e espaço para pequenos prazeres, a discussão reforça uma ideia central: o modo como se fala de comida pode ser tão influente quanto aquilo que se recomenda comer.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Ei






