Intoxicação que resultou na morte de 48 vacas leiteiras em Novo Xingu, no norte do Rio Grande do Sul, começa a produzir efeitos operacionais claros mais de um mês após o episódio.
A propriedade da família Witter voltou a ordenar cerca de 400 litros por dia, ainda abaixo do ideal, mas suficiente para sinalizar retomada gradual da atividade.
O impacto financeiro foi imediato. As perdas foram estimadas em aproximadamente R$ 600 mil, refletindo não apenas a morte dos animais, mas também o passivo gerado pela interrupção produtiva. Parte da recuperação tem sido viabilizada por doações financeiras e pela reposição do plantel.
A recomposição do rebanho ocorreu com apoio direto de produtores de diferentes municípios gaúchos. Até agora, 23 bovinos foram doados, incluindo 17 vacas leiteiras já integradas ao sistema produtivo. Os animais passam por fase de adaptação ao novo manejo, especialmente aqueles oriundos de confinamento, enquanto as altas temperaturas no Estado adicionam complexidade ao processo.
As análises veterinárias indicam que a causa mais provável das mortes foi a intoxicação por nitrito e nitrato. A suspeita recai sobre a forma de incorporação do esterco nas pastagens. Em condições normais, esses compostos são absorvidos pelas plantas durante a fotossíntese. Contudo, a baixa incidência solar nos dias anteriores ao evento teria impedido essa absorção, mantendo as substâncias nas folhas da forragem.
Ao consumir o alimento contaminado, os bovinos converteram os compostos em amônia, considerada altamente tóxica. O efeito descrito é de asfixia rápida, com morte em curto intervalo de tempo. O mecanismo reforça a relação direta entre manejo, clima e segurança alimentar do rebanho.
As primeiras ocorrências foram registradas na madrugada de 2 de janeiro, quando quatro vacas foram encontradas mortas. Outros animais apresentavam salivação excessiva, dificuldade respiratória e incapacidade de se levantar. Veterinários e autoridades municipais foram acionados ainda pela manhã. Ao fim daquele dia, 15 bovinos já haviam sido enterrados. Nas 48 horas seguintes, novas mortes elevaram o total para 48.
Com quase três décadas de atuação rural, a propriedade também trabalha com suinocultura e cultivo de soja. Mesmo diante das perdas, a família mantém o foco na reconstrução da atividade leiteira, apoiada por uma rede regional que transformou um evento crítico em esforço coletivo de recuperação.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Rádio Minuano 104.9






