Fórmulas infantis voltaram ao centro do debate regulatório após a Secretaria de Saúde do Distrito Federal afirmar que não há confirmação de contaminação em dois bebês inicialmente investigados por suspeita de intoxicação após consumo de produto da Nestlé.
Quase um mês depois da primeira comunicação, os episódios foram classificados como inconclusos com base na redefinição da definição de caso pelo Ministério da Saúde em 23 de janeiro de 2026. Segundo a pasta, todas as informações disponíveis foram alinhadas tecnicamente com a empresa e não houve confirmação de novos casos associados ao produto.
As análises laboratoriais descartaram contaminação por outro agente, mas também impossibilitaram a exclusão de diagnósticos diferenciais. As crianças apresentaram diarreia e vômitos, evoluíram de forma satisfatória e não tiveram maiores intercorrências, de acordo com o relato oficial.
O episódio ocorre em um contexto de maior controle sanitário. Em janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a comercialização, distribuição e uso de lotes específicos após a própria Nestlé anunciar recolhimento voluntário por risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. A substância pode provocar intoxicação alimentar aguda, com maior gravidade em bebês e crianças pequenas.
A Resolução nº 32/2026 formalizou a restrição no país e incluiu diferentes linhas de produtos destinados à primeira infância. Entre eles estão NAN Supreme Pro, Nestogeno, Nanlac Comfor, Nan Science Pro Sensitive e Alfamino, além de variantes voltadas a faixas etárias específicas.
Autoridades de vigilância reforçaram orientações ao consumidor. A recomendação é verificar informações oficiais antes da compra, mesmo em marcas consolidadas, e comunicar o comércio caso um lote proibido seja identificado para viabilizar o recolhimento.
Os sinais que exigem atenção após o consumo incluem vômitos persistentes, diarreia com risco de desidratação e letargia. Em situações suspeitas, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde e informar o alimento ingerido, levando a embalagem sempre que possível.
A correção do diagnóstico também ajusta a narrativa inicial, quando a intoxicação havia sido comunicada e posteriormente revisada por meio de errata na mesma nota oficial. Para o setor, o caso sinaliza a importância da rastreabilidade, da comunicação rápida e do alinhamento técnico entre autoridades e indústria em situações de risco potencial.
Embora o recall tenha sido motivado por risco e não por casos confirmados, a conclusão de que não houve comprovação de contaminação reforça que, até o momento, os bebês investigados no Distrito Federal estão a salvo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Metropoles e Polícia 24






