O Japão concentra hoje 309 oportunidades identificadas para produtos brasileiros, segundo levantamento atualizado da ApexBrasil, e mantém um dos mercados de maior valor agregado da Ásia para alimentos, insumos industriais e tecnologia.
Para o setor lácteo, o dado não é marginal. Trata-se de um mercado com 123,1 milhões de habitantes, PIB de aproximadamente US$ 4,5 trilhões e elevada participação do gasto alimentar no orçamento das famílias.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Japão alcançou US$ 11,6 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 5,5 bilhões, colocando o país asiático na 12ª posição entre os principais destinos dos produtos nacionais. A pauta ainda é fortemente concentrada em commodities como café, minério de ferro, carnes de aves, carnes suínas e alumínio, que representam mais da metade das vendas externas.
O ponto de inflexão para o agro está no padrão de consumo. Apesar de crescimento interno moderado, de 0,8% ao ano entre 2021 e 2025, o Japão segue entre os maiores consumidores globais de alimentos. Para 2026, a expectativa é que 17,8% do orçamento familiar seja destinado à alimentação. Esse percentual sinaliza um mercado disposto a pagar por qualidade, regularidade e diferenciação.
O estudo indica potencial para ampliar exportações de proteínas, cafés especiais, frutas e itens premium. As proteínas já demonstram tração. As exportações brasileiras de carne suína cresceram quase 59% ao ano entre 2021 e 2025, tornando o Japão o terceiro maior destino do produto no período. O movimento reforça que nichos de maior valor agregado encontram espaço quando atendem às exigências sanitárias e regulatórias do mercado japonês.
O Mapa de Oportunidades lista 309 produtos com potencial, abrangendo matérias em bruto, alimentos processados e também máquinas, equipamentos e ferramentas. Doze projetos setoriais da ApexBrasil já atuam no mercado japonês, com foco em agronegócio, economia criativa, serviços, tecnologia e frentes multissetoriais.
Para o setor lácteo, o sinal é indireto, mas estratégico. O Japão é um mercado altamente regulado e exigente. Ao mesmo tempo, negociações recentes ampliaram acessos para produtos do agronegócio brasileiro entre 2024 e 2025, como abacate hass, farelo de mandioca, feno, polpa cítrica desidratada, produtos à base de gordura animal e castanha-da-Amazônia. Além disso, uma auditoria sanitária japonesa no Brasil está prevista para março de 2026 no contexto de abertura para carne bovina.
O recado para exportadores é claro. O Japão combina escala, renda e apetite por alimentos com barreiras técnicas elevadas. Para cadeias que operam com padrão sanitário robusto e posicionamento premium, trata-se de um mercado onde a diferenciação pode valer mais que volume.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de ABIA






