Doce de leite de búfala pode parecer apenas mais uma sobremesa regional. Mas, em Itapororoca, no Vale do Paraíba paraibano, ele virou símbolo de reinvenção, estratégia e sabor que ultrapassa fronteiras estaduais.
O dado chama atenção: o produto já está presente não apenas na Paraíba, mas também em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. O conceito é simples e emocional. Transformar tradição familiar em oportunidade.
As irmãs Eduarda e Daniela Pedrosa decidiram dar continuidade à criação de búfalas iniciada pelo pai na década de 1980. A atividade foi interrompida por um período e retomada em 2018, com a instalação do rebanho na Fazenda Santa Helena, em Itapororoca.
Veio a pandemia. E, com ela, a queda na venda de leite. O desafio exigiu reação rápida. Foi nesse contexto que surgiu a ideia de produzir o doce de leite de búfala, aproveitando o excedente e agregando valor à matéria-prima.
Segundo Eduarda Pedrosa, a aceitação foi imediata. O diferencial está no leite A2A2 das búfalas, associado à melhor digestibilidade, além de um sabor marcante e textura cremosa que conquistou consumidores. O produto rapidamente abriu espaço no comércio regional.
A localização estratégica da fazenda e as condições naturais favoráveis à criação de búfalos também contribuíram para o crescimento. Com o aumento da demanda por alimentos de qualidade e origem controlada, o negócio ganhou tração.
Hoje, as empreendedoras trabalham na expansão dos derivados e na estruturação do próprio laticínio. O projeto conta com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), desde a elaboração técnica até a aquisição de maquinários e consultorias especializadas.
De acordo com Pablo Queiroz, gestor do agronegócio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas na região, a proposta é fortalecer toda a cadeia leiteira, do manejo à inserção competitiva no mercado. A iniciativa inclui inovação tecnológica, gestão, governança e busca por certificações que reforcem segurança e qualidade.
Um dos focos da chamada Trilha Empreendedora é o aprimoramento genético do rebanho e a melhoria nos processos de beneficiamento. O objetivo é claro: permitir que o produtor paraibano concorra em igualdade com qualquer outro mercado.
Enquanto isso, na prateleira, o doce de leite de búfala segue cumprindo seu papel mais importante: encantar consumidores com um produto que nasceu da necessidade, cresceu com estratégia e hoje representa uma nova fase para o empreendedorismo rural feminino no Nordeste.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Paraiba Online






