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2 maio 2026
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⚠️ Estudo indica que benefícios podem não chegar à economia real.
Acordo
📊 Queda de preços e concentração preocupam no acordo UE–Mercosul

O acordo UE–Mercosul volta ao centro do debate após um novo estudo indicar que seus benefícios econômicos podem ser limitados ou até desaparecer.

A análise contraria a narrativa oficial de que o tratado impulsionaria exportações agroalimentares e geraria ganhos amplos.

O relatório aponta que a União Europeia pode registrar pouco ou nenhum crescimento associado ao acordo. O impacto seria mais sensível para agricultores de menor escala, trabalhadores de setores expostos e economias regionais, sugerindo que os efeitos não seriam distribuídos de forma homogênea.

Um dos mecanismos centrais destacados é a pressão sobre os preços ao produtor. Segundo os autores, mesmo reduções pequenas podem afetar significativamente a viabilidade econômica das propriedades. A análise cita que uma queda nos preços da carne bovina, alinhada a projeções oficiais, ampliaria o número de fazendas economicamente inviáveis em vários países europeus. Esse movimento tende a acelerar a concentração produtiva e fortalecer grandes grupos agroindustriais.

Ao mesmo tempo, o estudo questiona a expectativa de benefício para o consumidor final. Em cadeias alimentares concentradas, a redução de preços ao produtor não necessariamente se traduz em alimentos mais baratos. A tendência indicada é de captura desses ganhos por processadores e varejistas, alterando a distribuição de valor ao longo da cadeia.

O relatório também introduz uma crítica estrutural ao acordo, argumentando que ele se baseia em um modelo de liberalização comercial centrado na redução de tarifas. Esse enfoque é caracterizado como desatualizado frente às dinâmicas atuais, levantando dúvidas sobre sua capacidade de gerar crescimento econômico ou fortalecer a resiliência.

No plano mais amplo, a análise sugere que o acordo pode reforçar desequilíbrios já existentes e contribuir para a fragmentação do sistema comercial global, em vez de promover maior autonomia econômica.

Para a leitura de mercado, o ponto central não está apenas nos possíveis ganhos de acesso, mas na forma como esses ganhos se distribuem e nos efeitos indiretos sobre preços, estrutura produtiva e captura de valor. O acordo UE–Mercosul, nesse contexto, deixa de ser apenas uma agenda comercial e passa a ser um vetor de reconfiguração da cadeia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agriland.ie

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