A produção da Nova Zelândia voltou a ocupar o centro das atenções no mercado lácteo internacional.
Em um cenário em que a oferta cresce na maioria das principais regiões exportadoras, o país registrou novos recordes de produção e chega ao encerramento da temporada 2025/26 em uma posição de força que ajuda a explicar parte da atual dinâmica global de oferta.
Os dados de abril mostram a dimensão desse avanço. A coleta nacional alcançou 160,5 milhões de kg de sólidos de leite (kgMS), o maior volume já registrado para o mês, superando em 6,9% o resultado do ano anterior e ficando 4,2% acima do recorde anterior estabelecido em abril de 2023. No acumulado da temporada, a produção de sólidos já apresenta crescimento de 4,4%.
O desempenho não se limita aos sólidos. Em volume total de leite, os processadores coletaram 1,544 milhão de toneladas em abril, avanço de 6,0% sobre o mesmo período do ano passado e também um novo recorde para o mês.
Produção cresce em todo o mundo, mas a Nova Zelândia se destaca
A expansão da oferta não é exclusiva da Nova Zelândia. Em abril, os Estados Unidos registraram aumento de 2,7% na produção de leite, a Austrália avançou 4,1%, o Uruguai cresceu 9,7% e a Argentina apresentou alta de 0,5%. Na Europa, os dados de março mostraram crescimento de 4,0%.
Mesmo dentro desse movimento global, a Nova Zelândia aparece como um dos principais vetores de crescimento entre os exportadores relevantes, combinando aumento de produção, crescimento da produtividade e maior número de vacas em lactação.
| Crescimento da produção de leite | Variação anual |
|---|---|
| Uruguai | +9,7% |
| Nova Zelândia | +6,9% |
| Austrália | +4,1% |
| Europa* | +4,0% |
| Estados Unidos | +2,7% |
| Argentina | +0,5% |
*Dados europeus referentes a março.
As condições produtivas também seguem favoráveis. O relatório destaca boa disponibilidade de pastagens durante o início do outono, além de avanços simultâneos no número de vacas e na produtividade média por animal.
Exportações acompanham o avanço da produção
O aumento da produção vem sendo absorvido por um desempenho exportador igualmente forte. Em abril, os volumes exportados pela Nova Zelândia cresceram 12,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O principal destaque foi o leite em pó integral (WMP), cujos embarques avançaram 29%. Também houve crescimento de 28% nas exportações de leite em pó desnatado e de 22% nas vendas externas de manteiga.
A demanda internacional contribuiu para esse movimento. As importações totais de lácteos da China cresceram 11% em abril, enquanto as compras chinesas de leite em pó integral avançaram 63%.
Um novo patamar para a temporada
Os sinais preliminares para maio apontam continuidade do crescimento. Segundo o relatório da NZX, a produção de sólidos do mês poderá superar em 4,3% o resultado do ano anterior. Caso essa estimativa se confirme, a temporada 2025/26 encerrará com aproximadamente 2,025 bilhões de kgMS, estabelecendo um novo recorde nacional.
Mais do que um resultado pontual, o relatório descreve uma trajetória sustentada de expansão. O avanço das fazendas, as conversões produtivas em andamento e o desempenho recente sugerem que a Nova Zelândia continuará sendo um dos principais motores do crescimento da oferta global de leite no curto prazo.
Para o mercado internacional, a mensagem é clara: a oferta mundial segue aumentando, mas poucos países estão ampliando sua presença com a mesma intensidade observada atualmente na Nova Zelândia.






