Queijos italianos no Ceará podem começar a aparecer com mais frequência nas feiras, mercados e queijarias do interior.
Para quem gosta de descobrir novos sabores, a surpresa pode surgir entre os produtos tradicionais da região. Nomes pouco comuns por ali — como flor de latte e caciocavalo — começam a ganhar espaço.
A novidade começa a se desenhar no Vale do Jaguaribe, onde queijarias de municípios como Morada Nova, Limoeiro do Norte, Russas e Jaguaribara passaram a experimentar receitas inspiradas na tradição italiana, ampliando a variedade de queijos produzidos com leite local.
Entre as novidades está o flor de latte, um queijo artesanal originário da Itália semelhante à mozzarella, mas com maior teor de umidade. Isso garante uma textura macia, delicada e levemente esponjosa, com sabor suave e ligeiramente adocicado. Na cozinha italiana, costuma aparecer em preparações frescas como saladas caprese, pizzas e massas.
Outro queijo que começa a despertar curiosidade é o caciocavalo, tradicional do sul da Itália. Ele chama atenção pelo formato característico de pera e pela forma de maturação: as peças são penduradas em pares sobre uma vara, como se estivessem “a cavalo” — origem do nome do produto.
Produzido normalmente com leite de vaca ou de ovelha, o caciocavalo apresenta textura firme e sabor marcante, levemente salgado e amanteigado, lembrando o provolone. É bastante apreciado em aperitivos e também quando grelhado, quando ganha uma superfície dourada e aroma intenso.
A introdução desses estilos de queijo na região ganhou impulso após uma capacitação técnica realizada em Limoeiro do Norte, promovida pelo Sebrae/CE em parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFCE). O treinamento foi conduzido pelos instrutores Paolo Disseca, da Itália, e Renata De Paoli, do Instituto Curadoria do Queijo, que apresentaram técnicas tradicionais de produção de massas filadas italianas para produtores locais.
Durante a atividade, queijarias da região puderam aprender e testar métodos de fabricação desses queijos utilizando leite produzido no próprio Vale do Jaguaribe. A iniciativa faz parte de ações voltadas ao fortalecimento da cadeia do leite regional e à diversificação da produção artesanal.
Para os produtores, incorporar novos estilos pode representar uma forma de ampliar o portfólio e agregar valor ao leite da região. Para os consumidores, significa algo ainda mais simples — e interessante: descobrir novos sabores sem sair do Ceará.
Assim, quem visitar feiras e mercados do interior nos próximos meses pode encontrar algumas novidades entre os queijos tradicionais. Entre coalhos e manteigas, talvez apareça um nome italiano — produzido ali mesmo, no sertão cearense.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agência Sebrae de Notícias






