As exportações brasileiras de lácteos registraram forte avanço em fevereiro, refletindo mudanças recentes no equilíbrio da cadeia leiteira.
Segundo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), os embarques somaram 4,51 milhões de litros em equivalente leite no mês, crescimento de 29,99% em relação ao período anterior.
O movimento foi impulsionado principalmente pela maior disponibilidade de leite nas regiões produtoras e pela redução dos preços no mercado interno. Com mais produto disponível e valores mais competitivos, os lácteos brasileiros ganharam espaço no comércio internacional, ampliando o volume exportado no período.
Além do aumento nos embarques, o desempenho também se refletiu no faturamento. As vendas externas de lácteos geraram cerca de US$ 7,05 milhões em fevereiro, indicando maior presença do produto brasileiro no mercado internacional.
Esse avanço ocorre em um momento de ajuste na cadeia leiteira nacional. O aumento da oferta de leite, combinado com preços mais baixos no mercado doméstico, cria condições que favorecem a competitividade externa. Ao mesmo tempo, esse cenário pressiona as margens dos produtores, que enfrentam um ambiente de preços menos favorável no campo.
Entre os destinos das exportações brasileiras de lácteos no período, três países concentraram parcela relevante das compras. Argentina, Estados Unidos e Uruguai foram os principais compradores em fevereiro, respondendo juntos por 47,73% do volume total exportado pelo Brasil.
A presença desses mercados evidencia a importância da diversificação de destinos para os produtos lácteos brasileiros. Ao distribuir os embarques entre diferentes compradores, o país amplia as possibilidades de escoamento da produção em momentos de maior oferta interna.
Enquanto o desempenho externo mostra sinais positivos, o mercado doméstico segue pressionado para os produtores. Em Mato Grosso, o preço pago ao produtor foi estimado em R$ 1,76 por litro, o menor nível registrado desde janeiro de 2022, de acordo com levantamento do IMEA.
Mesmo com redução na captação de leite pelas indústrias, as cotações continuam pressionadas pela disponibilidade de produto no mercado. Esse cenário reforça o desafio de equilíbrio entre oferta e demanda na cadeia.
Outro fator que continua pesando na produção é o custo de alimentação do rebanho. Insumos utilizados na dieta animal seguem relevantes na estrutura de custos da atividade leiteira, exigindo maior volume de produção para que os produtores mantenham uma relação de troca favorável na compra desses itens.
Além das condições específicas do setor, o ambiente macroeconômico também influencia o desempenho da cadeia. O Banco Central do Brasil acompanha a inflação e o ritmo da atividade econômica, fatores que impactam diretamente o consumo doméstico de alimentos.
Nesse contexto, o avanço das exportações ganha importância para o equilíbrio da cadeia leiteira. Com demanda interna moderada e preços pressionados no campo, o mercado externo passa a desempenhar papel mais relevante no escoamento da produção brasileira em 2026.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal do Agronegócio






