O setor leiteiro no Rio Grande do Sul projeta uma retomada entre abril e junho, apoiada em mudanças sazonais no consumo que tendem a elevar a demanda e sustentar os preços pagos ao produtor.
A expectativa está ancorada em dois vetores principais. O retorno às aulas e a queda nas temperaturas historicamente ampliam o consumo de leite e derivados, favorecendo uma recuperação gradual dos preços. Esse movimento é visto como um ponto de inflexão após um início de ano marcado por forte pressão econômica sobre as propriedades.
Nos meses de janeiro e fevereiro, parte dos produtores enfrentou um cenário de inviabilidade operacional. Em alguns casos, a receita obtida com a venda do leite não cobriu os custos de produção, levando à adoção de medidas defensivas, como a venda de parte do rebanho ou a contratação de empréstimos para manter a atividade. Esse descompasso entre custo e preço expõe um ponto crítico da cadeia: a fragilidade das margens em momentos de baixa remuneração.
O custo de produção, estimado entre R$ 2,00 e R$ 2,20 por litro, tem sido um fator determinante nessa pressão. Dentro dessa estrutura, a alimentação do rebanho se destaca como um dos principais componentes. Quando as condições climáticas comprometem a produção de pastagem ou silagem, o produtor precisa recorrer ao mercado para adquirir insumos, o que eleva os custos e reduz ainda mais a rentabilidade.
Esse efeito climático tem peso adicional no contexto do Rio Grande do Sul, onde as dificuldades na produção de alimento para os animais agravam a equação econômica. A dependência de insumos externos em períodos adversos amplia a exposição do produtor a oscilações de preço e limita a capacidade de reação no curto prazo.
A possível recuperação, portanto, depende diretamente da combinação entre melhora da demanda e estabilidade nos custos. O aumento do consumo no outono e inverno pode contribuir para recompor os preços pagos ao produtor, criando espaço para uma recuperação gradual das margens. No entanto, a sustentabilidade desse movimento permanece condicionada à evolução dos custos de produção, especialmente aqueles ligados à alimentação animal.
Para a cadeia láctea, o cenário sinaliza um momento de transição. De um lado, há a expectativa de alívio impulsionado pela sazonalidade da demanda. De outro, persistem desafios estruturais ligados aos custos e às condições climáticas, que continuam a influenciar diretamente a viabilidade econômica da atividade.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de CP






