Os dados do SDT 97 evidenciam um ponto central para o mercado regional:
Argentina e Uruguai estão ajustando suas estratégias exportadoras em direções distintas, com implicações diretas para o posicionamento da cadeia láctea brasileira.
Na Argentina, a segunda quinzena de janeiro revela um movimento de expansão. O aumento do volume exportado, a ampliação dos destinos e uma leve melhora no preço médio configuram um cenário de maior presença internacional.
Mesmo com quedas pontuais nos preços de produtos relevantes como leite em pó e queijos, o conjunto indica maior fluidez comercial. O país amplia capilaridade e ocupa mais mercados, priorizando escala e diversificação.
Essa dinâmica altera o ambiente competitivo. Com mais produto argentino circulando e alcançando mais destinos, a pressão sobre preços em determinados segmentos tende a se intensificar. Para o Brasil, isso significa enfrentar um vizinho mais ativo no comércio internacional, com capacidade de ajustar rapidamente volumes e canais de venda.
No caso do Uruguai, o movimento é diferente. A segunda quinzena de fevereiro mostra uma valorização expressiva do preço médio de exportação, acompanhada por redução do volume e menor número de destinos. O país opera com uma lógica mais concentrada, sustentando preços mais altos com menor dispersão comercial.
Esse padrão sinaliza outra variável relevante para o Brasil. Menor volume uruguaio disponível no mercado internacional pode aliviar parte da pressão competitiva em determinados produtos, mas ao mesmo tempo estabelece referências de preços mais elevados, especialmente em categorias como manteiga e leite em pó integral.
A leitura conjunta dos dois países revela um ajuste regional mais complexo. De um lado, maior oferta e diversificação argentina; de outro, menor volume e preços mais firmes no Uruguai. Não se trata apenas de níveis de preço, mas de estratégias distintas de inserção internacional.
Para a cadeia láctea brasileira, o impacto está na combinação desses fatores. A concorrência não se define apenas pelo valor por tonelada, mas pela capacidade de ocupar mercados, sustentar preços e responder a variações de demanda. Nesse contexto, os dados mostram que o entorno regional está em movimento, exigindo leitura fina e respostas rápidas.
Mais do que acompanhar preços isolados, o desafio passa a ser entender o mecanismo por trás deles. É essa dinâmica que define oportunidades e riscos no curto prazo.
Preços – Argentina (segunda quinzena de janeiro 2026)
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Leite em pó integral: USD 3.362,33
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Leite em pó desnatado: USD 2.923,94
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Queijo semiduro: USD 3.923,06
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Queijo duro: USD 6.114,76
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Manteiga: USD 4.788,10
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Buttermilk: USD 2.444,44
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Soro permeado: USD 649
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Soro parcialmente desmineralizado (D40%): USD 1.262,58
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WPC 35%: USD 2.942,29
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WPC 80%: USD 7.275,60
Preços – Uruguai (segunda quinzena de fevereiro 2026)
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Leite em pó integral: USD 3.536,54
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Leite em pó desnatado: USD 2.979,23
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Queijo semiduro: USD 4.281,24
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Queijo duro: USD 5.289,21
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Manteiga: USD 5.541,79
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Soro parcialmente desmineralizado (D40%): USD 1.428,43






