A Frísia projeta faturamento mais alto e crescimento em 2026 ancorados na industrialização e na ampliação de escala, com destaque para a entrada no processamento de soja.
A estratégia reposiciona a cooperativa ao longo da cadeia e altera a forma como captura valor, especialmente em um cenário recente de preços pressionados para grãos e leite.
Mesmo diante desse contexto adverso, a cooperativa encerrou 2025 com faturamento de R$ 5,9 bilhões, resultado sustentado principalmente por ganhos de volume. No leite, investimentos realizados previamente pelos cooperados se traduziram em aumento de produção, compensando parcialmente a queda de preços. Esse movimento reforça um mecanismo central: decisões de investimento no campo geram resposta produtiva no médio prazo, impactando diretamente a receita da cooperativa.
Nos grãos, a lógica foi semelhante. A produtividade mais elevada e o maior volume recebido ampliaram o faturamento, ainda que com preços mais baixos. A combinação entre desempenho agronômico e comportamento comercial do produtor também influenciou o resultado. Com menor capacidade de retenção, produtores venderam mais ao longo do ano, elevando o fluxo de comercialização e favorecendo a receita da cooperativa.
Esse conjunto de fatores revela uma mudança operacional relevante: a captura de valor não depende apenas de preços, mas da capacidade de gerar e movimentar volume em um ambiente de restrição financeira no campo.
Para 2026, a expectativa é de avanço no faturamento, aproximando-se de R$ 7 bilhões. O crescimento projetado se apoia em três vetores principais: continuidade da boa recepção de grãos, expansão de culturas como a cevada e evolução mais moderada do mercado de leite. No entanto, há um ponto de atenção claro: o custo de insumos. A possibilidade de fertilizantes mais caros pressiona a rentabilidade do produtor e pode impactar negativamente a cadeia, limitando o potencial de crescimento.
O principal fator de mudança estrutural, porém, está na agroindústria. A aquisição da esmagadora de soja em Ponta Grossa marca a entrada da Frísia em um elo que até então não integrava sua operação. Com capacidade relevante de processamento, a unidade altera o modelo de negócios ao permitir que a cooperativa deixe de apenas comercializar a soja e passe a industrializá-la.
Esse movimento amplia o acesso a mercados. De um lado, abre espaço para atender a demanda internacional por farelo de soja. De outro, fortalece a presença no mercado interno, especialmente no fornecimento de óleo para a indústria de biodiesel. A mudança é estratégica porque desloca a cooperativa para segmentos com maior agregação de valor.
A partir de 2027, com a operação em pleno funcionamento, a expectativa é de geração adicional de receita significativa, reforçando o papel da industrialização como motor de crescimento. A iniciativa também se insere em uma lógica já aplicada a outras culturas, como milho e trigo, consolidando uma estratégia de verticalização.
No campo dos investimentos, a cooperativa mantém foco na qualificação e expansão de ativos. Os aportes previstos incluem melhorias em sementes, ampliação na área de lácteos e expansão geográfica, especialmente no Tocantins. Esse movimento indica busca por escala e diversificação regional, com impacto direto na capacidade produtiva futura.
Ao mesmo tempo, a Frísia avalia novas frentes, como o biodiesel, mas mantém cautela diante das condições de mercado. A decisão de não avançar no etanol de milho, por exemplo, evidencia uma leitura pragmática sobre competitividade e disponibilidade de matéria-prima.
O conjunto das iniciativas aponta para um redesenho da cooperativa: menos dependente de preços e mais orientada à captura de valor via volume, processamento e diversificação.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de AgFeed






