A presença crescente de lácteos importados nas gôndolas da Nova Zelândia começa a alterar a forma como consumidores comparam preço, qualidade e origem dentro do supermercado.
Um teste cego realizado pela Farmers Weekly com manteigas e queijos importados e locais mostrou que a disputa deixou de ser apenas comercial e passou a envolver percepção de confiança, identidade e valor agregado.
Produtos estrangeiros, especialmente manteiga dos Estados Unidos, já aparecem ao lado de marcas tradicionais da Nova Zelândia, como Anchor, Mainland e Kāpiti. O movimento acontece em um contexto em que consumidores observam com mais atenção os preços dos alimentos e questionam por que produtos importados chegam às prateleiras com preços inferiores aos equivalentes locais.
O teste reuniu consumidores de diferentes faixas etárias para comparar manteigas comuns e premium, além de queijos tipo cheddar maturado, gouda e brie. Os participantes estimaram preços, tentaram identificar a origem dos produtos e avaliaram os fatores que influenciam suas compras.
A diferença mais evidente apareceu na manteiga. Consumidores perceberam rapidamente contraste de cor entre a manteiga importada dos Estados Unidos e a produzida localmente. A versão neozelandesa foi descrita como mais amarela, enquanto a importada foi considerada mais pálida. Também surgiram diferenças de percepção sensorial. A manteiga importada recebeu descrições como “doce” e “artificial”, enquanto a local foi associada a sabor mais “real” e intenso.
Nos queijos, as diferenças foram menos óbvias, especialmente no brie. Ainda assim, os participantes identificaram diferenças de intensidade e aparência. Os importados foram percebidos como mais fortes e claros, enquanto os produtos locais transmitiam familiaridade e sabor mais profundo.
Apesar das distinções percebidas durante a degustação, o teste revelou outro fator mais relevante para a cadeia láctea: consumidores continuam comprando principalmente por hábito e reconhecimento de marca. Participantes afirmaram repetir as mesmas escolhas no supermercado tanto para manteiga quanto para queijo, independentemente das diferenças identificadas no teste cego.
O estudo também mostrou que percepção de valor nem sempre acompanha o preço real. Em vários casos, consumidores presumiram que os produtos importados custariam mais do que efetivamente custavam. Um queijo gouda alemão, por exemplo, foi estimado acima do preço real, enquanto a manteiga importada dos Estados Unidos também foi percebida como mais cara do que era na prática.
Mesmo diante do avanço dos importados, todos os participantes declararam confiar mais nos produtos lácteos da Nova Zelândia. A origem apareceu associada à percepção de qualidade, menor processamento e familiaridade alimentar.
Outro elemento relevante foi o peso da rotulagem. Termos como “Product of New Zealand”, “Made in New Zealand” e “Packed in New Zealand” ajudam consumidores a interpretar origem e processamento dos produtos, em um ambiente onde importados e locais disputam espaço visual semelhante nas gôndolas.
O resultado do teste indica que a competição no varejo lácteo não depende apenas de preço ou sabor. Marca, origem e confiança seguem funcionando como diferenciais competitivos, mesmo com a maior presença de produtos importados nos supermercados neozelandeses.
Escrito para o eDairyNews, com informações de Farmers Weekly






