A investigação sobre dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai entrou em uma fase decisiva para a cadeia láctea brasileira.
O setor agora aguarda os próximos desdobramentos técnicos e a reunião da Camex prevista para 28 de maio, em um momento em que produção, margens e competitividade seguem no centro das preocupações do mercado.
O tema dominou a reunião da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizada em Brasília. A avaliação apresentada durante o encontro indica que o debate deixou de girar apenas em torno das denúncias feitas pelo setor produtivo e passou a avançar sobre o reconhecimento técnico da prática desleal de comércio.
Segundo a CNA, o Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reconheceu avanços importantes dentro da investigação, especialmente ao admitir a similaridade entre leite em pó e leite in natura. Para a cadeia produtiva, esse ponto é considerado estratégico porque aproxima diretamente os impactos das importações sobre o mercado doméstico de leite.
A expectativa agora se concentra no parecer final da investigação, que deverá decidir se haverá reconhecimento definitivo do dano causado ao setor brasileiro e do nexo causal entre as importações e os prejuízos ao mercado interno.
Durante a reunião, representantes envolvidos no processo afirmaram que as impressões preliminares do Decom são positivas para o setor lácteo brasileiro. Os dados apresentados indicam margens de dumping de até 61,4% para empresas argentinas investigadas e de até 49,4% para empresas uruguaias.
Para a CNA, o processo passou a representar mais do que uma discussão comercial pontual. A entidade tenta consolidar uma agenda mais ampla de competitividade para o leite brasileiro, conectando defesa comercial, sanidade animal e eficiência produtiva.
Nesse contexto, a comissão também debateu propostas de modernização do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). As medidas discutidas envolvem aperfeiçoamentos na segmentação dos rebanhos e na gestão das Guias de Trânsito Animal (GTA), além da padronização da metodologia de gestão dos cadastros animais e dados de cobertura vacinal.
A avaliação apresentada foi de que mudanças operacionais simples poderiam melhorar indicadores sanitários sem aumento de custos para os produtores.
Ao mesmo tempo, o setor acompanha um cenário de mercado considerado relativamente equilibrado em 2026. Segundo dados apresentados na reunião, produção e demanda seguem alinhadas até maio, embora o crescimento da produção ocorra em ritmo mais moderado devido ao estreitamento das margens da atividade.
Outro fator que entrou no radar da cadeia láctea é o clima. A probabilidade de ocorrência de El Niño a partir de setembro aumenta a preocupação com excesso de chuvas na região Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste, cenário que exige maior planejamento dos produtores nos próximos meses.
Com a investigação antidumping avançando para sua etapa decisiva, o mercado brasileiro de leite entra em um período de expectativa regulatória que pode influenciar diretamente o ambiente competitivo da cadeia.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal CNA Brasil






