O projeto de Indicação Geográfica do queijo colonial da Serra Gaúcha começou a ganhar contornos mais estratégicos após uma missão técnica organizada pelo Sebrae na Itália.
Mais do que conhecer tradições europeias, produtores, técnicos e pesquisadores brasileiros buscaram entender como regiões italianas transformaram alimentos locais em ativos de valor sustentados por organização coletiva, controle de qualidade e proteção de origem.
A comitiva visitou regiões como Parma, Trento e Bergamo, referências em produtos protegidos por denominações de origem. O principal aprendizado, segundo os participantes, esteve menos na produção em si e mais na estrutura que sustenta a reputação desses queijos ao longo do tempo.
Na avaliação do coordenador do Projeto de Indicação Geográfica do Queijo Colonial da Serra Gaúcha, Danilo Gomes, a experiência permitiu compreender como território, turismo, sanidade e padronização técnica se conectam dentro de uma estratégia única de valorização.
Os produtores tiveram contato direto com consórcios italianos responsáveis por organizar fabricantes, definir normas, garantir qualidade e proteger a identidade dos produtos. A lógica chamou atenção especialmente pela disciplina na gestão da oferta e pela construção coletiva de reputação.
Para Sérgio Lorenzon, da Laticínios Beija-Flor, um dos pontos mais marcantes foi perceber que os italianos priorizam a valorização do produto antes do aumento de volume.
Segundo ele, o foco observado nas regiões visitadas está totalmente voltado à qualidade e à preservação de mercado. A percepção reforçou entre os participantes a ideia de que a Indicação Geográfica pode funcionar não apenas como reconhecimento cultural, mas também como ferramenta de posicionamento e diferenciação.
A criação de um consórcio do queijo colonial da Serra Gaúcha deverá ser oficializada durante a próxima Expointer, em Esteio. De acordo com a Emater, pelo menos 25 queijarias legalizadas da região poderão integrar a estrutura.
O avanço do processo exigirá agora um alinhamento técnico entre os produtores. O grupo deverá elaborar um caderno de normas que definirá os critérios para utilização da futura identificação regional. As exigências envolvem particularidades de produção, padrões sanitários, território e análises sensoriais.
O pesquisador da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Alexander Cenci, afirmou que universidades, extensionistas e pesquisadores já atuam de forma conjunta na coleta das informações necessárias para o processo.
O debate também alcança aspectos ligados à matéria-prima. O produtor Daniel Chichelero destacou que o diferencial do queijo colonial depende não apenas da tradição, mas também da qualidade do leite e das condições de alimentação dos animais.
Ao longo da missão, os participantes visitaram cooperativas, laticínios e consórcios italianos especializados em produtos de origem protegida, incluindo o Consórcio Parmigiano Reggiano DOP e o Consórcio Asiago.
A experiência reforçou entre produtores e técnicos a percepção de que a valorização territorial depende de coordenação coletiva, regras claras e construção contínua de reputação. Para o queijo colonial da Serra Gaúcha, o desafio agora passa por transformar identidade regional em um modelo organizado de captura de valor.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Pioneiro






