A aquisição do Laticínio Sertão pela Piracanjuba reforça um movimento que começa a redesenhar a cadeia leiteira do Nordeste.
Com a operação em Monteirópolis, no Sertão de Alagoas, o grupo amplia presença regional, fortalece atuação no segmento de queijos e se posiciona em uma das principais áreas produtoras de leite do estado.
O negócio, anunciado nesta terça-feira (19), inclui a transferência integral do controle da indústria, embora a conclusão ainda dependa da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Até lá, as empresas seguirão operando de forma independente.
Fundado em 1955, o Laticínio Sertão atua na produção de queijos e derivados, com distribuição concentrada no Nordeste. Entre os produtos fabricados estão queijo coalho, muçarela, prato, provolone, ricota, cheddar, requeijão e manteiga. Em um primeiro momento, a produção seguirá com a marca atual e a incorporação da marca Piracanjuba ocorrerá gradualmente.
A operação amplia a estratégia regional iniciada pela companhia em maio de 2025, quando adquiriu a Natulact, em Sergipe. Com isso, a Piracanjuba passa a consolidar presença industrial em dois estados do Nordeste em menos de um ano, em um momento de crescimento da produção leiteira regional e aumento dos investimentos no processamento de derivados.
O movimento também reforça o peso estratégico de Alagoas dentro da cadeia láctea nordestina. Monteirópolis está localizada na Bacia Leiteira de Alagoas, região que concentra a maior parte da produção estadual e reúne diversas indústrias do setor.
Segundo dados citados pelo IBGE no texto original, a produção leiteira alagoana atingiu 35,9 milhões de litros no primeiro trimestre de 2025, com crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume também superou o recorde registrado no trimestre anterior.
Além de ampliar capacidade industrial, a Piracanjuba indicou que já iniciou estudos para novos investimentos na unidade adquirida, incluindo expansão gradual da produção e do mix de produtos. O grupo também informou que pretende manter os 70 postos de trabalho atuais do laticínio.
A chegada de grandes empresas ao Sertão alagoano ocorre em paralelo a outros investimentos relevantes na região. A Natville está construindo uma nova fábrica em Batalha, com investimento de R$ 500 milhões, previsão de processamento de aproximadamente 300 mil litros de leite por dia e expectativa de faturamento anual de R$ 1 bilhão.
Ao mesmo tempo, Betânia, Camponesa e Embaré anunciaram, no fim de 2025, parceria para gerir a Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), com previsão de investimento de cerca de R$ 40 milhões na unidade de Batalha.
Na prática, o conjunto desses movimentos acelera a ampliação da capacidade de processamento no estado e aumenta a competição industrial pela matéria-prima em uma região que vem ganhando protagonismo dentro do mapa leiteiro do Nordeste.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Movimento Econômico






