O comércio entre os países da União Econômica Eurasiática (UEE) e os integrantes do BRICS atingiu US$ 27,3 bilhões entre 2019 e 2024, consolidando um avanço que começa a reposicionar os fluxos globais de alimentos.
Entre os produtos destacados pela Comissão Econômica Eurasiática (CEE), os lácteos aparecem como uma das categorias já integradas ao crescimento comercial entre os blocos.
O dado ganha relevância para a cadeia leiteira porque mostra que o fortalecimento das relações entre BRICS e UEE deixou de ser apenas diplomático e passou a se traduzir em fluxo efetivo de mercadorias para grandes mercados importadores. Egito, Indonésia e Emirados Árabes Unidos aparecem como destinos dos produtos lácteos exportados pelos países da UEE.
A ampliação desse comércio ocorre em paralelo a uma estratégia mais ampla de cooperação agroindustrial aprovada pela CEE. O órgão recomendou aos países-membros o avanço de soluções digitais na produção agrícola e maior diversificação das exportações, conectando competitividade, tecnologia e expansão comercial.
Na prática, o movimento reforça uma reorganização dos mercados compradores de alimentos dentro do eixo BRICS. Além dos lácteos, a comissão destacou exportações de carne e derivados para China e Emirados Árabes Unidos, peixes e crustáceos para Indonésia e China, além de cereais enviados para Egito, Indonésia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e África do Sul.
O avanço dos lácteos dentro dessa dinâmica chama atenção porque o setor aparece inserido em mercados considerados relevantes para importação de alimentos. A leitura construída pela comissão indica que os países da UEE buscam ampliar presença justamente em destinos com demanda crescente dentro do bloco ampliado do BRICS.
Ao mesmo tempo, a recomendação aprovada pela CEE mostra que a disputa por competitividade não está limitada ao volume exportado. O texto incentiva o uso de sistemas terrestres e aéreos não tripulados, tecnologias de agricultura de precisão com inteligência artificial, sistemas de geoinformação e serviços digitais voltados à previsão climática e análise de riscos agrícolas.
Segundo a ministra da Indústria e do Complexo Agroindustrial da CEE, Goar Barseghyan, as medidas têm como objetivo reduzir o atraso tecnológico, elevar a competitividade agrícola da União e garantir desenvolvimento sustentável em uma economia cada vez mais digitalizada.
A combinação entre expansão comercial, digitalização agroindustrial e diversificação de mercados reforça um ponto central para o setor de alimentos: os BRICS consolidam progressivamente um ambiente de integração comercial próprio, no qual os lácteos passam a ocupar espaço relevante dentro da estratégia de abastecimento e exportação entre os blocos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Brasil 247






