A Lactalis está presente em milhões de lares brasileiros todos os dias. O curioso é que boa parte dos consumidores talvez não perceba isso. Ao caminhar pelos corredores de um supermercado, a sensação é de estar diante de várias empresas disputando espaço na geladeira.
De um lado, uma marca tradicional de leite. Mais adiante, um iogurte conhecido. Na prateleira seguinte, um queijo de outra origem. Mas, em muitos casos, essas escolhas aparentemente diferentes levam ao mesmo destino: a Lactalis.
O grupo reúne no Brasil algumas das marcas mais conhecidas do setor lácteo, entre elas Batavo, Parmalat, Itambé e Elegê. Cada uma possui sua própria história, identidade e relação com os consumidores. Para quem compra, elas continuam sendo marcas distintas. Nos bastidores, porém, fazem parte de uma mesma estrutura empresarial.
Essa presença silenciosa ajuda a explicar por que a companhia se transformou em uma das maiores empresas de alimentos do mundo.
A história começa na França, onde a família Besnier desenvolveu um negócio que, ao longo dos anos, ultrapassaria fronteiras e alcançaria dezenas de países. O crescimento aconteceu de duas formas: pela expansão internacional e pela incorporação de marcas já consolidadas em diferentes mercados.
Foi justamente essa estratégia que permitiu ao grupo ampliar sua presença em categorias variadas e construir um portfólio capaz de dialogar com diferentes perfis de consumidores.
No Brasil, a atuação da empresa vai muito além dos iogurtes. A Lactalis está presente em segmentos como leite, queijos, manteigas, bebidas lácteas e sobremesas. Ainda assim, os iogurtes ganharam destaque especial nos planos recentes da companhia.
A categoria é vista como uma das mais promissoras dentro do mercado de lácteos e tem recebido parte importante dos investimentos do grupo. Não por acaso, os iogurtes se tornaram uma das vitrines mais visíveis da estratégia da empresa no país.
A aposta também reflete uma mudança interessante na forma como os consumidores enxergam os derivados lácteos. Produtos que antes ocupavam nichos específicos passaram a disputar espaço no consumo cotidiano, abrindo oportunidades para empresas que conseguem combinar escala, marcas fortes e ampla distribuição.
O tamanho da Lactalis ajuda a entender o alcance dessa estratégia. Globalmente, a companhia registra faturamento superior a 29 bilhões de euros por ano, equivalente a mais de R$ 160 bilhões na cotação atual. Trata-se de uma dimensão que coloca o grupo entre os grandes nomes da indústria mundial de alimentos.
Apesar disso, seus proprietários mantêm um perfil incomum para os padrões atuais.
Enquanto muitos líderes empresariais se transformam em celebridades corporativas, a família Besnier prefere a discrição. Os integrantes raramente aparecem em eventos públicos e quase nunca concedem entrevistas. O resultado é um contraste curioso: milhões de pessoas convivem diariamente com produtos ligados ao grupo, mas poucas conhecem a história de quem está por trás dele.
Talvez seja justamente essa combinação que torne a trajetória da Lactalis tão interessante. De um lado, uma empresa presente em geladeiras, cafés da manhã e lanches espalhados pelo Brasil. Do outro, uma família que construiu um dos maiores grupos lácteos do planeta sem fazer da própria imagem parte do negócio.
Para o consumidor, as marcas continuam contando histórias diferentes. Mas, por trás de muitas delas, existe uma mesma trajetória de expansão, aquisições e crescimento global que ajudou a transformar uma empresa familiar francesa em um dos gigantes da indústria de alimentos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por DIARIO DE PERNAMBUCO






