O whey protein virou alvo frequente de falsificação no Brasil, e identificar um produto adulterado antes de consumi-lo é uma questão que vai além do bolso — envolve a saúde de quem treina.
Segundo especialistas consultados sobre o tema, alguns sinais no pó e na embalagem costumam denunciar a fraude antes mesmo da primeira dose.
O primeiro alerta está na aparência do produto. Uma coloração diferente daquela que o consumidor já conhece, cheiro estranho, presença de muitos grumos ou dificuldade para dissolver na água ou no leite são indícios que merecem atenção, segundo o nutricionista Thyago Nishino.
Ele acrescenta que embalagens com erros de impressão, lacres violados e ausência de informações sobre o fabricante também são sinais de alerta — assim como preços muito abaixo da média praticada no mercado. Na dúvida, a recomendação do nutricionista é direta: suspender o consumo e verificar a procedência do produto.
É justamente o preço baixo que costuma funcionar como isca. Uma apuração do G1 mostrou que suplementos vendidos por uma quadrilha investigada no Rio de Janeiro chegavam a custar até R$ 200 a menos do que o valor normalmente cobrado pelo produto original.
Para sustentar esse preço, os produtos falsificados recorrem a ingredientes baratos que imitam a aparência e a textura do whey protein verdadeiro. Nishino cita amido, maltodextrina, leite em pó, farinha e açúcares adicionados como componentes comuns nessas fórmulas — substâncias que nada têm a ver com a proposta nutricional de um suplemento proteico.
O endocrinologista Rafael Suhett reforça que essa substituição compromete o valor nutricional do produto e impede que o consumidor saiba, de fato, o que está ingerindo.
O problema tem histórico recente. Em fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apreendeu um suplemento em pó vendido sob a marca Equaliv Body Protein Cacau, que não era reconhecido pela fabricante, o grupo Althaia. Desde 2022, a própria Anvisa já alertava sobre a comercialização de whey protein falsificado no país.
A escala do problema ficou mais clara em fevereiro de 2024, quando uma ação da Polícia Civil localizou um laboratório clandestino de fabricação. No local, que contava com um galpão para estocagem, foram encontrados grande quantidade de produtos farmacêuticos, centenas de encomendas já prontas para envio e rótulos de milhares de produtos — o que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), evidenciava a escala industrial da operação.
Uma nova operação, iniciada pelo MPRJ em 17 de junho, mirou um esquema que usava marcas conhecidas e preços atrativos para vender, por meio de comércio eletrônico, suplementos de procedência e formulação duvidosa.
Consumir um whey falsificado não significa apenas perder o efeito esperado do suplemento na rotina de treino. Pode haver consequências para a saúde. A endocrinologista Fernanda Parra explica que os ingredientes presentes nessas fórmulas adulteradas podem provocar desconforto digestivo, alterações intestinais e outras reações adversas, com gravidade que varia conforme a quantidade ingerida e as condições de saúde de cada pessoa.
Suhett acrescenta que o excesso de açúcares e carboidratos ocultos na fórmula pode gerar impactos metabólicos, além do risco de contaminação durante uma fabricação clandestina que, em geral, não passa por fiscalização adequada.
Diante desse cenário, as recomendações dos especialistas caminham na mesma direção. Fernanda destaca que os suplementos não devem ser vistos como substitutos de refeições nem como soluções rápidas para melhorar saúde e desempenho físico — o consumo precisa estar alinhado às necessidades e aos objetivos de cada pessoa.
Suhett recomenda dar preferência a produtos de empresas reconhecidas, que emitam nota fiscal, e buscar orientação profissional antes de iniciar qualquer suplementação, já que ela precisa ser individualizada e considerar fatores como histórico clínico, prática de atividade física, uso de medicamentos e necessidades nutricionais específicas.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Correio de Carajás






