A qualidade do leite em Rondônia registrou uma evolução expressiva nos últimos anos, com avanços que vão além dos indicadores técnicos e passam a influenciar diretamente a relação entre produtores e indústria. Estudos conduzidos pela Embrapa mostram que a conformidade do leite entregue aos laticínios aumentou de forma consistente, refletindo mudanças no manejo, na higiene e nos processos adotados nas propriedades.
O dado mais relevante aparece na Contagem Padrão em Placas (CPP), indicador utilizado para medir a carga bacteriana presente no leite. Durante o período chuvoso, a parcela dos tanques que atendiam aos limites estabelecidos pela legislação mais que dobrou. Em 2015, apenas 36% estavam em conformidade. Em 2022, esse índice alcançou 72,6%.
O avanço não ficou restrito ao cumprimento das exigências legais. A média da carga bacteriana apresentou redução significativa em todo o estado. No período das águas, a queda foi de 69,1%. Já na estação seca, a redução chegou a 76,7%, indicando melhorias consistentes independentemente das condições sazonais.
Os resultados fazem parte de análises realizadas no âmbito do Programa Nacional da Qualidade do Leite (PNQL). O levantamento avaliou 566 tanques de armazenamento em 2015 e outros 536 em 2022, distribuídos pelas principais microrregiões produtoras de Rondônia.
Mais do que uma mudança estatística, os números indicam uma transformação na qualidade da matéria-prima disponibilizada à indústria. À medida que cresce a participação de produtores capazes de atender aos padrões exigidos, amplia-se também a disponibilidade de leite com características compatíveis com os critérios adotados pelos laticínios.
O estudo atribui essa evolução ao trabalho conjunto entre pesquisadores, produtores, técnicos e indústria, com destaque para a adoção de boas práticas agropecuárias ao longo da cadeia produtiva.
Os ganhos podem se refletir também na remuneração. Segundo a pesquisa, alguns laticínios já operam programas de bonificação que oferecem pagamentos adicionais aos fornecedores que alcançam padrões superiores de qualidade. Nesse contexto, a melhoria dos indicadores deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a representar uma oportunidade econômica para parte dos produtores.
Os estudos apontam ainda um potencial adicional de evolução. Em um projeto piloto citado pela pesquisa, a implementação de práticas adequadas de manejo e controle sanitário permitiu reduzir em mais de 95% a carga bacteriana do leite produzido. O resultado mostra que os avanços observados em escala estadual ainda convivem com espaço para novas melhorias dentro das propriedades.
A trajetória registrada em Rondônia reforça o papel da assistência técnica, da capacitação e da adoção de procedimentos voltados à melhoria contínua da qualidade. Ao mesmo tempo, evidencia como a evolução dos indicadores pode alterar o perfil da oferta de leite entregue à indústria e ampliar o número de produtores aptos a atender padrões cada vez mais exigentes.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal SGC






