ESPMEXENGBRAIND
17 jun 2026
ESPMEXENGBRAIND
17 jun 2026
✨ Em vez de buscar escala, eles apostaram em qualidade, identidade e leite Jersey para construir uma marca premiada.
Jersey
🧀 Teresa Boari e Edmar Okamoto trocaram a vida corporativa por uma fazenda e transformaram leite Jersey em um queijo artesanal reconhecido em Minas Gerais.

Queijo artesanal pode parecer apenas mais um produto na prateleira, mas para Teresa Boari e Edmar Okamoto ele se tornou o símbolo de uma mudança de vida que começou longe das fazendas e perto das salas de reunião.

O casal construiu carreira em multinacionais de São Paulo e Minas Gerais antes de tomar uma decisão que muitos considerariam arriscada. Em 2015, investiu em uma propriedade rural em Coronel Xavier Chaves, no Campo das Vertentes, região tradicionalmente ligada à produção de queijo em Minas Gerais. Dois anos depois, começava a produção do Queijo Jacuba, marca que hoje se tornou o principal cartão de visitas da Fazenda DuJapa.

A mudança não foi apenas de endereço. Foi também uma troca de lógica de trabalho.

Em vez de metas corporativas, passaram a lidar diariamente com manejo do rebanho, ordenha, controle sanitário, fabricação, maturação e comercialização. Uma rotina que exige atenção constante e que, no caso da DuJapa, foi construída sobre uma escolha considerada estratégica desde o início: trabalhar com vacas Jersey.

A raça é conhecida pela elevada concentração de gordura e sólidos no leite, características valorizadas na fabricação de derivados lácteos. Segundo os dados citados pela propriedade, o leite utilizado na fazenda apresenta teor de gordura entre 4,8% e 5,5%, atributo associado à textura, à cremosidade e ao rendimento na produção de queijos.

Mas os produtores acreditam que a matéria-prima, por si só, não resolve tudo.

“Nossa principal preocupação é a qualidade do leite. Acreditamos que é a partir de uma matéria-prima de qualidade que se faz bons produtos”, afirma Edmar Okamoto.

Essa filosofia ajudou a construir a identidade do Queijo Jacuba. Produzido em pequena escala, ele é descrito como um queijo de massa lisa, sem olhaduras — os tradicionais “furinhos” encontrados em algumas variedades. O resultado é um produto de textura mais macia e sabor suave, características que se tornaram parte da sua identidade.

A pequena escala, porém, também traz desafios.

Teresa Boari explica que a fazenda não possui laboratório próprio para análises diárias do leite. Por isso, pequenas variações podem aparecer entre os lotes produzidos. Segundo ela, a essência do queijo permanece a mesma, embora a textura possa apresentar diferenças naturais de um dia para outro.

Longe de ser vista como um problema, essa característica ajuda a reforçar um dos elementos mais valorizados do universo artesanal: a ligação direta entre o produto, a matéria-prima e o processo de fabricação.

O reconhecimento veio alguns anos depois.

Em 2020, o Queijo Jacuba recebeu o Selo ARTE, certificação federal destinada a produtos alimentícios de origem animal produzidos artesanalmente. A conquista ampliou as possibilidades de comercialização da marca, permitindo a circulação nacional dos produtos certificados desde que atendidas as exigências sanitárias previstas.

Para pequenos produtores, esse tipo de certificação representa mais do que um selo na embalagem. Ela abre portas para novos mercados e reduz barreiras que historicamente limitavam a expansão dos negócios artesanais.

O salto de visibilidade ganhou força em 2021.

Na 13ª edição do Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal, o Jacuba foi eleito o melhor queijo de Minas Gerais. A avaliação reuniu dezenas de jurados e analisou critérios como sabor, aroma, textura e aparência. Para uma queijaria de pequena escala, a conquista representou uma vitrine importante diante de consumidores, chefs, especialistas e mercados especializados.

Ao longo dessa trajetória, a Fazenda DuJapa também encontrou formas de ampliar o aproveitamento da matéria-prima. Além do queijo, passou a produzir o doce de leite DuJapa, comercializado na versão tradicional e em uma receita com raspas de limão-siciliano.

A diversificação ajuda a fortalecer a presença da marca em feiras, festivais e eventos gastronômicos, ambientes que se tornaram parte importante da estratégia comercial da propriedade.

Não por acaso, a fazenda participa regularmente de iniciativas ligadas ao queijo artesanal mineiro, setor que continua ganhando visibilidade junto aos consumidores. O próprio Campo das Vertentes, onde está localizada, integra uma das regiões oficialmente reconhecidas para a produção de Queijo Minas Artesanal e mantém forte ligação com eventos dedicados à valorização desses produtos.

Mesmo diante do crescimento do mercado, Teresa Boari observa que a concorrência também aumentou.

“O queijo artesanal está na moda. Há um aumento do número de produtores e, consequentemente, da concorrência. Percebo que é um negócio em crescimento, mas só os melhores permanecerão”, afirma.

A história da Fazenda DuJapa mostra que a transformação do leite nem sempre depende de volume. Às vezes, ela começa com uma mudança de vida, passa pelo cuidado com a matéria-prima e termina em algo que poucos conseguem construir: uma marca capaz de se destacar em um mercado cada vez mais disputado.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CPG Click Petróleo e Gás

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta