A qualidade do leite em Rondônia avançou significativamente nos últimos anos, impulsionada pela adoção de boas práticas, pelo fortalecimento das ações de assistência técnica e pela maior adequação às exigências sanitárias.
No entanto, enquanto a redução da contagem bacteriana consolidou um importante ganho para a cadeia leiteira, os estudos mais recentes indicam que um novo desafio ganha espaço: o controle da mastite e da contagem de células somáticas (CCS), especialmente em rebanhos mais tecnificados.
Levantamentos conduzidos pela Embrapa mostram que a conformidade dos tanques com os limites de contagem bacteriana aumentou de forma expressiva entre 2015 e 2022. O resultado foi acompanhado por uma forte redução da média da contagem bacteriana tanto no período chuvoso quanto na estação seca, refletindo avanços na execução das práticas higiênico-sanitárias exigidas pela legislação.
Parte dessa evolução foi atribuída à identificação dos principais pontos críticos da cadeia. Os estudos apontaram que os maiores problemas relacionados à qualidade do leite estavam associados à adoção insuficiente de boas práticas de ordenha e às limitações da logística de refrigeração.
Entre os fatores identificados, destacaram-se os atrasos no resfriamento do leite e as falhas de higienização dos latões utilizados no transporte intermediário até os tanques coletivos. A pesquisa também observou que tanques compartilhados por um número maior de produtores apresentavam risco mais elevado de contaminação, um aspecto que chama atenção em um estado onde a maior parte dos produtores está vinculada a esse modelo de coleta.
Além do diagnóstico, os pesquisadores validaram protocolos adaptados às condições predominantes nas propriedades locais. O trabalho acompanhou sistemas com diferentes níveis tecnológicos e rastreou pontos de contaminação em equipamentos, utensílios, água utilizada na ordenha e manejo dos animais.
Os resultados foram consistentes. Após a implementação das boas práticas, incluindo preparo adequado do úbere e higienização rigorosa de baldes, latões e equipamentos, a carga bacteriana do leite foi reduzida em mais de 95% nas propriedades avaliadas.
Mas, ao mesmo tempo em que os indicadores bacteriológicos melhoraram, outro sinal passou a exigir atenção. A comparação dos dados coletados ao longo dos anos revelou tendência de aumento da CCS nos tanques monitorados pela indústria.
Segundo os estudos, rebanhos com maior nível de tecnificação, incluindo propriedades com ordenha mecânica e animais mais especializados para produção leiteira, apresentaram maior probabilidade de ocorrência de mastite bovina. O resultado sugere que os avanços tecnológicos, por si só, não garantem melhores indicadores sanitários quando não são acompanhados por protocolos consistentes de prevenção e controle da saúde do úbere.
A preocupação vai além da qualidade do leite entregue à indústria. Casos de mastite clínica exigem descarte de leite e tratamento dos animais, enquanto a mastite subclínica pode reduzir significativamente a produtividade do rebanho sem apresentar sinais evidentes para o produtor.
Os resultados obtidos em Rondônia reforçam que a melhoria da qualidade do leite depende de uma combinação entre assistência técnica, monitoramento contínuo, capacitação e execução disciplinada de boas práticas. Se a redução da contagem bacteriana representou um avanço importante para a cadeia, os dados indicam que a próxima etapa da competitividade passa pelo controle mais eficiente da mastite e pela gestão dos indicadores de saúde do rebanho.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal Embrapa






