Produção de leite em Santa Catarina: o salto que reorganizou uma propriedade rural:
A produção de leite em Santa Catarina não cresceu apenas em números dentro da propriedade de Darvilete e Jaime Siqueira. Ela foi sendo reconstruída, etapa por etapa, até transformar completamente a lógica de funcionamento da fazenda em Campos Novos, no Meio-Oeste do estado.
O que hoje aparece como um salto de cerca de 1.000% na produção de leite em Santa Catarina começou com um sistema pequeno: oito vacas leiteiras e uma média de oito a 10 litros por animal por dia. Em 2011, isso resultava em cerca de 29 mil litros por ano.
Quatorze anos depois, a mesma propriedade opera com um rebanho de 100 animais e alcançou aproximadamente 300 mil litros de leite em 2025, consolidando um novo patamar produtivo.
A inflexão desse processo não veio de uma única decisão, mas de uma mudança estrutural iniciada em 2016, quando a família passou a ter contato com extensionistas da Epagri. A partir daí, seminários, viagens técnicas e reuniões passaram a fazer parte da rotina produtiva.
Esse acompanhamento técnico foi acompanhado também por acesso a políticas públicas, com um total de R$ 124,77 mil investidos na propriedade ao longo de 10 anos.
Alimentação como ponto de ruptura
A primeira transformação relevante ocorreu no sistema alimentar do rebanho. A família adotou pastagens perenes, eliminando a necessidade de replantio anual e reorganizando a base produtiva da fazenda.
O modelo baseado em pasto passou a estruturar o sistema de produção e foi descrito como mais rentável dentro da agricultura familiar, segundo a experiência relatada na propriedade.
Esse ajuste alterou diretamente o desempenho do rebanho e abriu espaço para uma escalada progressiva da produção de leite em Santa Catarina dentro da fazenda.
Infraestrutura e reorganização do espaço produtivo
Em 2019, um segundo ponto crítico foi resolvido: a distância entre a ordenha e o pasto. A construção de uma nova sala de ordenha próxima à área de pastagem eliminou o deslocamento de cerca de dois quilômetros que impactava o manejo diário.
A mudança teve efeito direto na rotina dos animais e dos produtores, reduzindo esforço logístico e otimizando o fluxo produtivo.
No ano seguinte, a propriedade passou a ser reconhecida como Unidade de Referência Técnica da Epagri, recebendo visitas de outros produtores interessados nas tecnologias aplicadas.
A reorganização continuou com a implantação de piquetes, dividindo o pasto em áreas menores e permitindo controle mais eficiente do manejo.
Em 2020, a produção atingiu 165 mil litros, com uma renda bruta de R$ 300 mil no período.
Expansão do sistema produtivo
A partir de 2021, novos ajustes consolidaram o sistema. A fazenda implantou fornecimento de água em todos os piquetes, garantindo acesso contínuo para os animais.
Também foi estruturado um sistema de criação de bezerras, com foco em reposição e melhoria do rebanho.
Com recursos próprios, a família construiu ainda um barracão para alimentação de 56 vacas.
Em 2022, com orientação técnica, foram plantados eucaliptos na área de pastagem, com objetivo de oferecer sombra e melhorar o bem-estar animal.
Continuidade e sucessão
O processo de expansão também passou a incorporar uma dimensão geracional. O filho do casal, Jacson, de 21 anos, participa ativamente das atividades da propriedade e planeja seguir no setor leiteiro.
Ele atua diretamente no manejo alimentar, pastagens, fornecimento de silagem e concentrado, além da manutenção dos piquetes.
A presença dele consolida a continuidade do modelo produtivo que elevou a escala da fazenda ao longo dos últimos 14 anos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por nd+






