ESPMEXENGBRAIND
10 jul 2026
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Casos em Minas Gerais e Paraná mostram como manejo, gestão e tecnologia elevaram resultados sem depender apenas de ampliar a estrutura 🐄
leite
Duas propriedades transformaram desafios em ganhos de produtividade com ajustes na alimentação, genética, ordenha e controle 📈

A produção de leite ganhou novos caminhos em propriedades que decidiram olhar primeiro para dentro da fazenda.

Em Minas Gerais e no Paraná, dois casos mostram como manejo, gestão e tecnologia permitiram elevar resultados sem depender inicialmente de grandes expansões de área ou estrutura.

Os exemplos da Fazenda Córrego do Monjolo, em Açucena (MG), e da Fazenda Barra Preta, em Pitanga (PR), têm trajetórias diferentes, mas um ponto em comum: a busca por eficiência passou a orientar as decisões do produtor.

Em Minas Gerais, uma propriedade de apenas 11 hectares produtivos alcançou 403 litros de leite por dia e chegou a 147.363 litros no ano, segundo dados do Educampo Leite.

Na Fazenda Córrego do Monjolo, Melquisedeque Alves de Oliveira, conhecido como Sr. Melqui, e Rosemary Gonçalves transformaram a rotina de manejo do rebanho a partir de planejamento, genética e acompanhamento técnico.

O salto começou antes da expansão

Quando assumiu sua parte da propriedade, em 1998, Melqui decidiu abandonar um modelo tradicional e trabalhar com metas e gestão.

A mudança ganhou força com capacitação e melhoramento genético. Em 2020, por meio da Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginópolis (Cooprovi), a fazenda participou do Sebraetec FIV, programa que ampliou o acesso à tecnologia de fertilização in vitro.

Hoje, a propriedade possui sete animais provenientes do programa, entre eles cinco Girolando meio-sangue e dois Holandês Puro de Origem.

Outro passo decisivo foi a entrada no Educampo Leite, em 2021. Com assistência técnica e gerencial, o sistema de produção mudou: o gado saiu do pasto e passou para o regime semiconfinado, com silagem de milho disponível 24 horas.

O efeito apareceu rapidamente. A média subiu de 15 para 20 litros por vaca nos primeiros dias. Em 2025, a produção chegou a 22,96 litros por vaca ao dia, acima da média do grupo atendido pelo programa, de 18,49 litros.

A produtividade por área também chamou atenção. A fazenda alcançou 13.362 litros por hectare ao ano, enquanto a média do grupo Educampo ficou em 4.682 litros.

No Paraná, ajustes de rotina mudaram o resultado

Em Pitanga (PR), a Fazenda Barra Preta seguiu outro caminho, mas com o mesmo foco: corrigir processos antes de ampliar investimentos.

Atendida pela SIA Brasil desde 2019, a propriedade elevou a produção média por vaca de uma faixa entre 26 e 28 litros para 42 litros, com picos de 45 litros.

A primeira mudança foi na alimentação. A fazenda já havia avançado no manejo das pastagens, mas precisava reorganizar a dieta das vacas, que apresentava excesso de proteína.

Com os ajustes, o rebanho em lactação cresceu de cerca de 60 para mais de 90 vacas. O aumento evidenciou outro gargalo: a estrutura de alimentação.

A propriedade então investiu em uma estrutura no modelo compost barn. O espaço melhorou o fornecimento de alimento e abriu caminho para a mudança do sistema a pasto para o confinamento.

Depois da adaptação, a produção média chegou a aproximadamente 35 litros por animal. Cerca de um ano depois, a implantação da terceira ordenha levou a fazenda ao maior volume registrado.

Gestão para atravessar ciclos do leite

Os dois casos também mostram que produtividade não depende apenas de tecnologia, mas da capacidade de acompanhar indicadores e tomar decisões.

Na Fazenda Córrego do Monjolo, cada vaca passou a ser acompanhada individualmente, com atenção para nutrição, saúde, conforto e reprodução.

Em 2025, cerca de 22% da renda bruta da propriedade foi reinvestida em mecanização, melhorias, genética e rebanho.

Na Fazenda Barra Preta, o aumento da produção ajudou a diluir custos operacionais em um período de queda no preço pago pelo leite.

Para os técnicos envolvidos no caso paranaense, propriedades mais organizadas conseguiram atravessar melhor períodos difíceis porque trabalham com controle da alimentação, separação de lotes, medição individual de leite e acompanhamento econômico.

Os resultados apontam para uma mesma conclusão: antes de buscar apenas mais terra ou mais animais, muitos produtores encontram espaço para crescer quando transformam gestão e eficiência em ferramentas de produção.

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