ESPMEXENGBRAIND
10 jul 2026
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🌍 A estratégia das grandes lácteas muda de direção com investimentos, refinanciamentos, reorganizações e disputas que revelam uma nova lógica de crescimento.
danone
⚙️ Investimentos, gestão e diferenciação comercial tornam-se protagonistas da nova estratégia das grandes lácteas.

A estratégia das grandes lácteas está deixando de ser definida apenas pelo aumento da produção.

Em diferentes regiões do mundo, empresas do setor estão promovendo mudanças profundas em suas operações, na estrutura financeira, na organização comercial e até na forma de defender o posicionamento de suas marcas. Embora cada movimento responda a uma realidade específica, todos apontam para uma transformação comum: crescer por meio da criação de valor e da maior eficiência dos negócios.

Na Europa, a FrieslandCampina escolheu fortalecer sua base industrial. A cooperativa colocou oficialmente em operação sua nova capacidade de produção de manteiga em Lochem, na Holanda, centralizando nessa unidade toda a fabricação do produto após o encerramento da fábrica de Den Bosch, em junho de 2025.

Além da ampliação da capacidade produtiva, a empresa afirma que a nova instalação permitirá um processo mais eficiente e sustentável. A expectativa é economizar anualmente 700 mil kWh de eletricidade, 95 mil metros cúbicos de gás e 50 mil metros cúbicos de água. A unidade também produz butter oil, leite em pó e produtos obtidos por filtração do leite, abastecendo tanto clientes industriais quanto mercados internacionais e o varejo.

Nos Estados Unidos, a disputa acontece em outro campo: o posicionamento dos produtos.

A Danone entrou com uma ação judicial contra a Chobani, alegando que a linha de iogurtes 20G é apresentada ao consumidor como equivalente à linha Oikos Pro, embora, segundo a empresa, ofereça menor densidade de proteína quando comparada por peso em determinados formatos de embalagem.

Para a Danone, a discussão vai além da rotulagem. A companhia argumenta que o desenvolvimento de iogurtes com elevado teor de proteína exige investimentos relevantes em pesquisa, formulação e fabricação, o que influencia diretamente o posicionamento premium desses produtos. A empresa solicita medidas judiciais, indenização, publicidade corretiva e a restituição dos lucros obtidos com as vendas contestadas.

Os próprios dados apresentados pela Danone mostram por que esse segmento ganhou importância estratégica.

Segundo pesquisas da companhia, a parcela de consumidores norte-americanos que afirmam incluir proteína conscientemente na alimentação passou de 59% em 2022 para 70% em 2025, alcançando 75% no fim de fevereiro de 2026. O estudo também cita que produtos com alegações de alto teor de proteína podem obter um prêmio de preço de aproximadamente 12%.

Na Nova Zelândia, a prioridade está no fortalecimento da estrutura financeira.

A Synlait Milk concluiu um pacote de refinanciamento bancário de NZD 320 milhões, acompanhado da substituição de um empréstimo de acionista de NZD 130 milhões concedido pela Bright Dairy International Investment Limited.

A nova estrutura reúne nove instituições financeiras e estabelece um conjunto de metas para acompanhar a recuperação da empresa, incluindo indicadores de alavancagem, capital de giro, cobertura de juros, evolução trimestral do EBITDA e patrimônio líquido superior a NZD 450 milhões. Além disso, a companhia prevê reduzir gradualmente sua dependência de financiamentos de curto prazo ao longo de 2027.

Enquanto isso, a Fonterra aposta na reorganização comercial para acelerar sua estratégia.

Após vender seu negócio de consumo para a Lactalis, a cooperativa anunciou uma nova estrutura de liderança voltada exclusivamente ao modelo B2B. A organização deixará de operar com uma estrutura baseada em canais para adotar um modelo orientado por mercados, integrando ingredientes e foodservice sob uma única responsabilidade comercial em cada região.

Como parte dessa mudança, Teh-han Chow assumirá a liderança da Grande China, Gaby Amade ficará responsável pelos mercados globais — incluindo Oceania, Américas, Sudeste Asiático, Japão, Oriente Médio e Europa — e Elisa Giusti ocupará o novo cargo de Chief Growth and Strategy Officer, responsável pelas estratégias de mercado, otimização do portfólio, inovação e expansão de novos negócios.

Segundo o CEO Richard Allen, a reorganização pretende aumentar a velocidade de execução, o foco e a responsabilidade comercial, mantendo a estratégia da cooperativa voltada para maximizar o valor do leite produzido por seus cooperados.

Analisados em conjunto, esses movimentos revelam que as maiores empresas do setor lácteo estão redefinindo suas prioridades. Algumas concentram esforços na modernização industrial, outras fortalecem sua estrutura financeira, protegem o posicionamento de seus produtos ou reorganizam a liderança para ganhar agilidade comercial. As iniciativas são diferentes, mas convergem para uma mesma direção: competir cada vez mais por eficiência, diferenciação e geração de valor, em um mercado global que exige respostas estratégicas cada vez mais rápidas.

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