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31 jul 2026
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📉 Um indicador que ninguém esperava reverteu a expectativa do setor leiteiro gaúcho em junho. Entenda o que mudou por trás dessa conta.
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🌍 Decisões tomadas do outro lado do mundo mexeram diretamente no bolso de quem tira leite no Rio Grande do Sul. Veja como isso aconteceu.

Custo do leite cai no Rio Grande do Sul, mas alívio chega desigual ao produtor.

O custo de produzir leite no Rio Grande do Sul teve uma queda em junho que pegou o próprio setor de surpresa. O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC), calculado pela Assessoria Econômica da Farsul, registrou deflação mensal de 0,48% — um resultado oposto ao que se projetava, já que a expectativa era de alta puxada pela valorização de itens como milho, soja, sal mineral e energia elétrica.

O índice, divulgado nesta quarta-feira, 29, mede a variação de preços da cesta de insumos que responde por 80% do custo de produção do leite.

A explicação para essa reviravolta está em dois movimentos que aconteceram fora do Brasil. No mercado internacional de fertilizantes, a China retomou no final de maio suas exportações de ureia, suspensas anteriormente para proteger o abastecimento interno do país.

A volta de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas adicionais ao mercado global recompôs rapidamente a oferta e provocou uma das correções de preço mais intensas dos últimos anos: um recuo de cerca de 40% nas cotações internacionais em relação ao pico recente.

O segundo fator veio da geopolítica. O arrefecimento das tensões no Oriente Médio e o destravamento logístico no Estreito de Ormuz derrubaram em torno de 23% as cotações internacionais do petróleo, o que se refletiu diretamente na redução dos preços dos combustíveis e aliviou a cadeia logística da pecuária leiteira gaúcha.

Até aqui, a notícia parece boa para quem vive da produção de leite. Mas a própria Assessoria da Farsul faz uma ressalva importante: apesar da magnitude do ajuste externo, o efeito prático sobre a porteira das propriedades é heterogêneo.

Diante das incertezas prolongadas no cenário internacional e do risco de novas interrupções de oferta, grande parte dos produtores já havia feito compras antecipadas de insumos, travando preços mais altos. Na prática, isso significa que o alívio das cotações globais chega de forma limitada a uma parcela expressiva da atividade — quem comprou antes, não sentirá o desconto.

E o horizonte para os próximos meses não é de continuidade da queda. Para julho, a projeção da Farsul é de retomada da inflação do ILC, sustentada principalmente pela alta nos preços dos grãos, milho e soja.

Nos combustíveis a tendência é de estabilidade, enquanto nos fertilizantes o impacto da retomada das exportações chinesas de ureia já foi incorporado aos preços internacionais, o que reduz a probabilidade de novas correções expressivas como a de junho. No acumulado de 12 meses, o IPCA de Leite e Derivados já registra alta de 10,06%, refletindo essa dinâmica distinta entre os custos de produção e a recomposição de preços ao longo da cadeia.

Do outro lado da conta, o valor pago ao produtor também se movimenta. O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) divulgou na terça-feira, 28, o valor de referência do leite para julho: R$ 2,5005 por litro, uma alta de 2,98% em relação à referência projetada para junho, de R$ 2,4281 — um acréscimo de R$ 0,0724 por litro.

O mesmo Conselho também confirmou o valor consolidado de junho, em R$ 2,4320 por litro.

Juntando as duas pontas, o mês de junho fechou com um raro alinhamento a favor da margem do produtor gaúcho: insumos mais baratos e leite mais valorizado. Mas, como mostra o próprio comportamento do ILC, esse alívio não é uniforme nem garantido — depende de quando cada produtor comprou seus insumos, e a inflação de custos já dá sinais de que pode voltar já em julho.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Rádio Mundial

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