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31 jul 2026
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Enquanto o consumo interno de bebidas lácteas cresce, um número da balança comercial chama atenção da cadeia 📈
Soro de leite: Brasil reduz déficit ao menor nível em 14 anos
Soro de leite: Brasil reduz déficit ao menor nível em 14 anos.

Em 2024, o Brasil exportou 7.629 toneladas de soro de leite.

É mais do que a soma de 2021, 2022 e 2023 juntos — anos em que as vendas externas do produto somaram 907, 905 e 2.242 toneladas, respectivamente.O número marca o ápice histórico da série e é o sinal mais concreto de uma mudança que vem se desenhando devagar na balança comercial do coproduto mais discutido da indústria láctea nacional.

A exportação de soro de leite ainda é pequena perto do que o país produz, mas a trajetória chama atenção. Em 2011, o Brasil exportava praticamente nada: apenas 30 toneladas, contra 22.774 toneladas importadas. O déficit daquele ano foi de 22.744 toneladas. Treze anos depois, com importações em 15.326 toneladas e exportações em 7.629 toneladas, o saldo negativo caiu para 7.697 toneladas — o menor da série histórica iniciada em 2011.

O movimento não é linear. As importações oscilaram ao longo da década: chegaram a superar 24 mil toneladas em 2014 e 2016, recuaram para pouco mais de 14 mil toneladas em 2018, 2019 e 2021, e voltaram a subir para 21.498 toneladas em 2023 antes de cair novamente em 2024.

Já as exportações seguiram outro caminho: praticamente inexistentes até 2017, quando não passavam de dezenas ou poucas centenas de toneladas por ano, começaram a ganhar corpo a partir de 2021 e deram um salto expressivo nos últimos dois anos.

Por trás desses números está a fabricação de queijos, que vem redesenhando o destino do leite captado no país.

Em 2011, 30,8% do leite recebido pelos estabelecimentos inspecionados ia para a produção de queijos; em 2024, essa fatia chegou a 36,6%, um volume de 9,287 bilhões de litros. Como cada quilo de queijo consome cerca de 10 litros de leite e gera soro na proporção de 9 litros para cada 10 processados, mais queijo significa, inevitavelmente, mais soro disponível.

O resultado aparece na disponibilidade total do coproduto: de 9,253 bilhões de litros em 2011 para 11,888 bilhões de litros em 2024, considerando a soma do soro gerado pelo leite inspecionado e não inspecionado, ajustada pelas trocas com o exterior.

Em termos per capita, a oferta subiu de 47 para 56 litros de soro por habitante ao ano — um avanço de 18,6% — mesmo com a população brasileira crescendo 8,4% no mesmo período, de 196 milhões para 213 milhões de pessoas.

Esse excedente é o que sustenta a virada comercial. Historicamente, o soro de leite foi tratado como um subproduto problemático da fabricação de queijos, difícil de descartar por sua elevada carga orgânica.

A consolidação de tecnologias como o tratamento térmico UHT e a secagem por spray dryer — concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde estão as principais bacias leiteiras do país — transformou esse material em matéria-prima estratégica para ingredientes proteicos, suplementos, bebidas lácteas e produtos de panificação.

A redução das importações somada ao recorde de exportações em 2024 pode indicar que o Brasil não está apenas processando melhor o soro internamente, mas começando a ganhar competitividade para disputar mercados internacionais.

Ainda que os volumes negociados sejam pequenos frente ao total de leite produzido no país, o estudo classifica o movimento como um sinal incipiente de maturidade tecnológica — o momento em que a eficiência produtiva de uma cadeia começa a se converter em balança comercial.

O déficit no comércio exterior de soro de leite ainda existe e não deve desaparecer no curto prazo. Mas a distância entre o que o Brasil compra e o que vende lá fora nunca foi tão pequena. Para uma cadeia que só há poucos anos discutia o que fazer com o excedente de soro, virar fornecedora — ainda que em escala modesta — já é, em si, uma notícia.

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