Quem compra leite nos supermercados de Alegrete já percebe: o preço muda bastante conforme a marca e o tipo do produto.
Um levantamento em estabelecimentos da cidade mostrou que a caixa de 1 litro — entre as versões integral, desnatada e zero lactose — varia entre R$ 4,89 e R$ 7,39, uma diferença de até R$ 2,50 dentro da mesma gôndola.
Essa variação não é aleatória. Ela é resultado da soma de diferentes elos da cadeia produtiva: custos industriais, logística, tributação, a marca e o tipo de leite comercializado se combinam de formas distintas em cada produto, o que explica por que duas caixas de leite, lado a lado, podem ter preços tão diferentes.
Parte da explicação também começa antes da fábrica, no valor pago ao produtor. O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projetou o litro em R$ 2,5005 para julho de 2026, um aumento de 2,98% frente aos R$ 2,4281 projetados para junho — o equivalente a R$ 0,0724 a mais por litro entregue pelo produtor. Já o valor consolidado de junho fechou em R$ 2,4320, ligeiramente acima dos R$ 2,4302 de maio, uma variação de 0,07%.
Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o cenário no primeiro semestre é de estabilidade: “Temos uma estabilidade nos preços e uma sustentação dos valores pagos ao produtor neste primeiro semestre do ano”, afirmou. Mas essa estabilidade pode não se manter.
Durante a reunião do conselho, produtores e representantes da indústria expressaram preocupação com o alto volume de chuvas no Rio Grande do Sul, que ameaça o desenvolvimento das pastagens de inverno e das áreas destinadas às pastagens de verão. Isso compromete a produção de silagem e a oferta de alimento para os rebanhos, elevando os custos de produção nas propriedades.
É importante destacar que o valor divulgado pelo Conseleite é uma referência para o pagamento ao produtor e não se transfere de forma direta e imediata ao preço de prateleira. Ainda assim, especialistas alertam que, se as condições climáticas adversas persistirem, os custos de produção têm potencial para subir nos próximos meses — e esse impacto tende a se refletir de forma gradual no preço final pago pelo consumidor em cidades como Alegrete.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Alegrete Tudo






