ESPMEXENGBRAIND
8 ago 2026
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🥛 Um país que importava leite em pó virou referência em eficiência produtiva. Entenda a mudança.
📈 O custo que mais pesa no bolso de quem produz leite ganhou uma solução testada no campo. Saiba mais.
📈 O custo que mais pesa no bolso de quem produz leite ganhou uma solução testada no campo. Saiba mais.

Em qualquer sistema de produção de leite, existe um número que domina a planilha de custos: entre 60% e 70% do gasto total de uma fazenda leiteira vem da alimentação do rebanho.

É esse percentual que explica por que a ração, muito mais do que a genética ou a tecnologia de ordenha, define a margem final de quem produz leite — e é justamente esse gargalo que o Vietnã decidiu atacar de frente.

O país asiático, que há duas décadas dependia fortemente da importação de leite em pó para reconstituição, transformou sua pecuária leiteira em um setor industrial moderno, com gestão digital, chips eletrônicos para monitoramento de rebanho e processos padronizados internacionalmente.

Mas o avanço técnico esbarrou em um problema conhecido por qualquer produtor: como sustentar uma dieta de qualidade para vacas leiteiras sem depender de forragem importada, sujeita a custos logísticos, câmbio e oscilações do mercado global?

A resposta vietnamita foi organizar toda a cadeia em torno de um único objetivo — produzir a forragem localmente e com qualidade constante. Para isso, o país estruturou o que chama de “Cadeia Alimentar Interconectada”, um modelo que conecta três elos com funções bem definidas: agricultores locais, fazendas leiteiras e empresas de processamento.

O produtor deixa de ser fornecedor sazonal

O primeiro elo começa na terra. Agricultores estão convertendo áreas de arrozais e várzeas — antes pouco eficientes — para o cultivo de forrageiras de ciclo curto e alto rendimento, como o milho para biomassa, combinado a gramíneas de alto rendimento.

Essa combinação garante fornecimento de forragem verde durante todo o ano, reduz a dependência de importação e, segundo o material analisado, também traz benefício ambiental: os campos de gramíneas perenes ajudam a cobrir o solo, reduzir a erosão, reter umidade e melhorar a fertilidade.

O segundo elo é a fazenda leiteira, que funciona como um centro técnico de transferência de tecnologia. É ela quem fornece sementes de milho padronizadas aos agricultores, orienta o cultivo segundo normas VietGAP e GlobalGAP, controla resíduos de pesticidas e define o momento certo da colheita.

Depois de colhida, a forragem é comprada no local, a preço estável e garantido por contrato de longo prazo — um mecanismo que dá previsibilidade tanto para quem planta quanto para quem produz o leite. Com essa matéria-prima, a fazenda monta sua própria Ração Total Misturada (RTM) para atingir o padrão nutricional do rebanho.

O terceiro elo fecha o ciclo: as empresas de processamento recebem leite cru de alta qualidade, com baixo teor microbiano graças ao controle rigoroso da alimentação, o que permite refinar produtos como leite pasteurizado, UHT, iogurte e queijo com maior competitividade nos mercados interno e externo.

Da roça ao copo de leite

Para o especialista agrícola Hoang Trong Thuy, o valor do modelo vai além da planilha de custos. “Para construir uma indústria de laticínios forte, não basta ter apenas boas raças de vacas ou fábricas modernas.

Mais importante ainda, precisamos formar uma cadeia de suprimentos sustentável, da ração ao copo de leite”, afirmou. Segundo ele, quando agricultores, cooperativas, fazendas e empresas dividem os benefícios, a indústria ganha estabilidade, competitividade e capacidade de chegar a mercados internacionais.

Thuy também destaca um efeito que costuma passar despercebido nas discussões sobre eficiência produtiva: a permanência das famílias no campo. “Há muitos anos falamos sobre a importância de manter as pessoas nas áreas rurais. Mas, para que permaneçam lá, precisam de empregos estáveis, renda, oportunidades de desenvolvimento profissional e, em última instância, prosperidade”, disse.

Nesse modelo, o agricultor deixa de vender produtos agrícolas de forma pontual e passa a ser parceiro de longo prazo das empresas, em uma relação que combina quatro frentes: tecnologia, qualidade, planejamento de produção e compartilhamento de benefícios. Com o tempo, segundo Thuy, esses produtores se tornam profissionais altamente qualificados em suas áreas — um capital que ele considera tão valioso quanto a própria produção.

“Em muitos países com agricultura desenvolvida, os agricultores são respeitados pela sociedade não por possuírem grandes extensões de terra, mas sim por serem profissionais altamente qualificados que produzem de forma responsável para a sociedade e o meio ambiente”, completou. Para ele, a agricultura moderna não depende de grande volume de mão de obra não qualificada, e sim de produtores profissionalizados.

Ao resumir o que considera o maior ganho do modelo, Thuy vai além dos números de produtividade: “O aspecto mais significativo que a cadeia alimentar integrada traz é uma lição sobre organização da produção. É uma lição sobre como usar as conexões como base, usar os benefícios harmoniosos como força motriz e colocar os agricultores no centro do processo de desenvolvimento.”

Para o especialista, o formato mostra que um sistema leiteiro moderno não pode se apoiar apenas em grandes fazendas ou fábricas de última geração — ele precisa de fontes estáveis de matéria-prima, produtores qualificados e empresas dispostas a manter parcerias de longo prazo.

“Quando os agricultores deixam de estar fora da cadeia de valor e se tornam parceiros das empresas; quando os campos não só produzem produtos agrícolas, mas também criam empregos, conhecimento e um ambiente verde; quando os interesses dos agricultores, das empresas e da sociedade se encontram numa ligação sustentável, então isso não é apenas um sucesso para a indústria de laticínios, mas também uma direção promissora para muitos outros setores agrícolas”, concluiu Hoang Trong Thuy.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Vietnam.vn

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