ESPMEXENGBRAIND
8 ago 2026
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Uma ação em feira internacional de São Paulo colocou à prova o que restaria nas prateleiras do consumidor brasileiro 🛒
prateleiras
De alimentos a remédios, um experimento em São Paulo revelou onde os produtos de origem animal se escondem 🔍

Imagine entrar em um supermercado e encontrar mais da metade das prateleiras vazias.

Foi essa a experiência proposta a quem visitou o Salão Internacional de Proteína Animal, realizado em São Paulo, onde a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) montou um espaço cenográfico simulando um mercado sem nenhum produto que utilizasse ingredientes ou insumos de origem animal.

A proposta, segundo a gerente de marketing da ABPA, Isa Sardela, era escancarar algo que passa despercebido no dia a dia do consumidor: a presença silenciosa de componentes de origem animal muito além da carne, dos ovos e do leite.

“Nosso objetivo é mostrar o impacto na vida das pessoas. Se não existisse nenhum produto de origem animal, a gente pensa que vai faltar só carne, ovos, leite. Mas a gente não para para pensar que biscoitos levam leite e que os produtos de limpeza têm gordura animal”, explicou Sardela.

O leite, aliás, aparece como um dos exemplos mais diretos citados pela executiva: está presente em biscoitos, um dos itens mais consumidos e menos associados pelo público a insumos de origem animal. A lista, no entanto, vai muito além da gôndola de alimentos.

Bebidas alcoólicas tradicionais também dependem da cadeia animal: de acordo com Sardela, os processos de clarificação de cervejas e vinhos utilizam derivados como a clara de ovo, empregada inclusive na redução do tanino dessas bebidas.

Um totem informativo montado no espaço detalhava ainda outras frentes menos óbvias dessa dependência. Medicamentos como as vacinas contra febre amarela e gripe recorrem a insumos de origem animal em sua fabricação. O mesmo vale para cosméticos, pneus, tintas e artigos esportivos, setores que раramente são associados pelo consumidor final à pecuária ou ao agronegócio.

A montagem do supermercado deixou visível, na prática, a lacuna que a ausência desses insumos deixaria nas prateleiras. E, segundo Sardela, essa lacuna não seria simples de preencher. Ela reconhece que já existem substitutos para boa parte dos produtos de origem animal disponíveis no mercado, mas destaca que ainda há duas barreiras relevantes para o consumidor comum: a dispersão da oferta e o preço.

“Você não vai conseguir em um único local encontrar todos os produtos substitutos. Na grande maioria, os produtos são mais caros, às vezes três, quatro vezes mais caros. E também tem uma dificuldade na oferta”, afirmou a gerente de marketing da ABPA.

Na prática, a ação buscou reposicionar a discussão sobre a cadeia animal: não como um setor restrito à produção de alimentos básicos, mas como uma engrenagem que atravessa a indústria de bebidas, a saúde pública e até a fabricação de itens industriais do cotidiano — uma abrangência que, segundo a ABPA, ainda é pouco percebida pela sociedade.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Band.

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