ESPMEXENGBRAIND
19 set 2026
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🐄 Um dos maiores nomes do agro argentino fez uma afirmação que reacende o debate sobre o futuro da lechería no país vizinho.
⚡ Energia, escala e mercado externo: os três nós que decidem se a Argentina vai — ou não — triplicar sua produção de leite.
⚡ Energia, escala e mercado externo: os três nós que decidem se a Argentina vai — ou não — triplicar sua produção de leite.

Um dos nomes mais influentes do agronegócio argentino colocou um número provocador sobre a mesa: a Argentina teria capacidade de produzir o triplo de leite do que produz atualmente.

A afirmação é de Mariano Bosch, cofundador da Adecoagro, feita durante um debate promovido por LA NACION e IDEA sobre os motores de crescimento do país.

Para Bosch, a produção leiteira argentina está praticamente estagnada há décadas — e o problema não é falta de potencial, mas falta de escala industrial, de competitividade externa e de uma visão que trate o leite como matéria-prima de uma cadeia de maior valor agregado, e não apenas como produto primário.

A conta que ele propõe é direta: triplicar a produção significa também triplicar tambos e triplicar o rebanho. “Três vezes mais leite, três vezes mais tambos, três vezes mais vacas”, resumiu o empresário. Na visão dele, esse salto só é viável se a Argentina deixar de pensar o agro como simples fornecedor de commodities e passar a encará-lo como uma verdadeira agroindústria, capaz de transformar leite bruto em queijos, leite em pó e ingredientes de maior sofisticação.

É nesse ponto que entra um dos elementos mais estratégicos do raciocínio de Bosch: a proteína de soro, subproduto da fabricação de queijos que vem ganhando relevância no mercado internacional puxado pela demanda por nutrição e consumo de proteínas.

Para o cofundador da Adecoagro, esse ingrediente representa uma oportunidade de agregar valor muito superior à simples exportação de matéria-prima agrícola — e é um exemplo do tipo de industrialização que, segundo ele, a Argentina precisa perseguir.

Mas ambição de escala não basta sem capacidade de competir lá fora. “Temos que competir com o mundo”, afirmou Bosch, ao defender que o país precisa de plantas mais eficientes, tecnificadas e robotizadas para conseguir colocar queijos argentinos em mercados internacionais de forma competitiva.

Há ainda um capítulo delicado nessa equação: a continuidade comercial. Bosch usou o leite em pó para ilustrar um problema recorrente — a dificuldade de garantir fornecimento estável a compradores internacionais quando restrições às exportações, aplicadas em diferentes momentos, interrompem relações comerciais de longo prazo.

Por fim, o empresário apontou um gargalo estrutural que atravessa toda a cadeia: energia. Processos como a secagem de leite, essenciais para a produção de leite em pó, dependem de energia a preços competitivos — um fator que, segundo ele, é decisivo para viabilizar a industrialização a partir do interior do país e sustentar a exportação para diferentes mercados. “Precisamos de energia a preços competitivos”, resumiu.

O diagnóstico de Bosch conecta pontas que raramente aparecem juntas: genética e escala produtiva, industrialização e proteínas, comércio exterior e infraestrutura energética. Juntas, elas desenham o que, segundo ele, falta para transformar o potencial leiteiro argentino em litros reais — e em presença mais forte nos mercados globais de lácteos.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por EDairyNews Español 

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