ESPMEXENGBRAIND
18 set 2026
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🧀 O que sobrava na fabricação de queijo agora é disputado a peso de ouro pela indústria mundial.
Soro
📈 Nem a maior queijaria do mundo consegue acompanhar o ritmo dessa demanda — os números explicam por quê.

Uma quantidade fixa de queijo produz uma quantidade fixa de soro. Essa equação simples, que durante décadas transformou o soro de leite em um subproduto de segunda categoria dentro dos laticínios, hoje é o centro de uma das valorizações mais expressivas do setor lácteo mundial.

O concentrado de proteína de soro com 80% de proteína (WPC80) chegou a US$ 32.000 por tonelada — o equivalente a US$ 14,50 por libra. Em 2023, no mesmo período, o preço rondava US$ 5.500 por tonelada, ou US$ 2,49 por libra.

Os números, levantados pela plataforma de inteligência de commodities Vesper e citados pela NutraIngredients, mostram uma escalada de quase seis vezes em três anos. O Rabobank registra um salto ainda mais concentrado no tempo: o WPC80 passou de cerca de € 12.500 por tonelada em outubro de 2025 para € 27.500 em julho de 2026, alta de 120% em nove meses.

Por trás da disparada está uma demanda que se diversificou. A nutrição esportiva segue como base do consumo — o segmento cresce, na Europa, a uma taxa anual composta estimada entre 7% e 9,6%, com produtos proteicos respondendo por cerca de 83% dessa categoria, segundo estudos citados pela NutraIngredients.

Mas o soro deixou de depender só de atletas: usuários de medicamentos GLP-1, que buscam preservar massa muscular durante o tratamento, passaram a engrossar a procura, assim como a incorporação de proteína em uma gama cada vez maior de alimentos do dia a dia.

O problema é que a oferta não responde no mesmo ritmo. Alan Johnstone, proprietário da Nutrilution UK, explica que a capacidade de processamento de proteínas cresce cerca de 4% ao ano, enquanto o volume de soro cru que sai das queijarias avança apenas 1,5% ao ano. É um descompasso estrutural: para produzir mais soro, é preciso produzir mais queijo — e isso não acontece na velocidade que o mercado de proteínas exige.

Diante da escassez, grandes companhias já reagem. A FrieslandCampina anunciou um investimento de € 90 milhões para ampliar sua produção de proteínas de soro, numa aposta direta em um cenário de oferta apertada que deve se manter.

A pergunta natural é se existe substituto. Ainda não há um óbvio. O colágeno pode cumprir função em algumas formulações, mas seu perfil nutricional é outro. A proteína de soro obtida por fermentação de precisão avança como alternativa tecnológica, mas sua viabilidade econômica em larga escala continua sendo um desafio a resolver.

Na prática, o perfil de aminoácidos, a digestibilidade, o sabor e a funcionalidade do soro seguem sem equivalente direto para quem produz nutrição muscular ou proteína completa.

O resultado é que um insumo historicamente tratado como resíduo da produção de queijo se consolidou como peça estratégica — e cada vez mais rentável — da cadeia láctea internacional.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por EDairyNews Es

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