ESPMEXENGBRAIND
18 set 2026
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Enquanto a China só observa de longe, um único destino explica por que as novilhas custam mais no Uruguai 📈
uruguai
Um comprador de fora da região movimenta a exportação de novilhas uruguaias e trava um mercado inteiro 🐄

No Uruguai, quem decide hoje o preço de uma novilha leiteira não está na região — está na Turquia.

A exportação de novilhas uruguaias das raças Holando e Jersey para o país asiático se tornou o principal destino do excedente gerado pelos tambos uruguaios, e essa demanda sustentada é o que vem segurando os valores do gado em pé em um momento de oferta mais apertada.

O quadro atual combina três fatores que se reforçam: menos animais disponíveis para venda, preço do leite firme e um comprador externo disposto a pagar por continuidade. Federico Di Santi, diretor do escritório DSR, resume o ponto central do negócio: não é apenas o valor pago por cada animal que importa, mas a existência de uma demanda constante capaz de absorver o excedente de terneiras que a atividade leiteira produz naturalmente.

Esse excedente costumava ter mais de um comprador. Hoje, tem menos. Com preços do leite sustentados, muitos produtores uruguaios optam por reter novilhas dentro de suas próprias propriedades em vez de vendê-las — uma decisão racional quando o negócio interno compensa. O resultado prático aparece nos remates: menos gado ofertado e valores muito próximos aos registrados no outono, mesmo em plena zafra de primavera.

Os números mostram a segmentação do mercado. Novilhas próximas ao parto, de características gerais, negociam entre US$ 1.600 e US$ 1.800. Animais com melhor genética, registros e condições especiais de venda superam os US$ 2.000. Já as novilhas com partos mais distantes ficam ao redor de US$ 1.500 — uma faixa de preços que reflete diretamente a pressão da demanda turca sobre um número limitado de cabeças disponíveis.

A DSR já tem uma operação prevista para embarque em dezembro e avalia novos negócios para 2027, mas o próprio operador reconhece um limite: os valores atingiram patamares altos nos últimos meses e podem precisar de um ajuste para que o negócio continue viável no médio prazo. É a tensão típica de um mercado sustentado por um único comprador forte — funciona enquanto o preço permite competir.

E há um segundo comprador no horizonte, ainda distante: a China começou a fazer consultas por gado leiteiro uruguaio, mas nenhuma operação avançou. O motivo é logístico, não comercial — transportar até a China custa entre 40% e 50% a mais do que enviar à Turquia, uma diferença que praticamente elimina a competitividade chinesa enquanto os preços uruguaios seguirem elevados.

Por ora, o mercado uruguaio de gado leiteiro caminha sobre uma base estreita: uma demanda externa concentrada, uma oferta interna reduzida e um preço que só se sustenta se a Turquia continuar comprando no ritmo atual. Qualquer mudança nesse equilíbrio — seja uma correção de preços, seja a entrada real da China — redesenha imediatamente o valor de cada novilha que sai dos tambos uruguaios.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por EDairyNews Es

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