ESPMEXENGBRAIND
18 set 2026
ESPMEXENGBRAIND
18 set 2026
Para o veterinário responsável, o número alto não indica problema. Entenda a lógica do abate sanitário de vacas que já soma dezenas de animais 🥛
rebanho
Entre 60 dias de espera e uma semana, o tempo decide quais vacas seguem no rebanho. Veja como funciona o abate sanitário de vacas 🐮

Rebanho leiteiro | Um número alto de vacas sacrificadas não quer dizer que o município tem um problema com zoonoses.

Quem afirma é Fábio Monteiro, médico veterinário responsável pela Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) em Francisco Beltrão, sobre o abate sanitário de vacas realizado na sexta-feira, dia 13: 42 animais, sendo 30 com brucelose e 12 com tuberculose, no maior sacrifício de gado da história do município.

Segundo Monteiro, a explicação está em outro lugar. Brucelose e tuberculose existem em rebanhos de qualquer parte do Paraná, mas nem todo mundo faz os exames. Em Beltrão, diz ele, está sendo feito algo jamais visto no estado: a preocupação em prevenir essas doenças.

Os números, porém, seguem subindo. Em agosto, 15 animais já tinham sido sacrificados pelo mesmo motivo. Nesta semana, outras 25 cabeças, 21 com tuberculose e 4 com brucelose, também serão abatidas. E há mais: 78 propriedades rurais já tiveram exames com suspeita de animais infectados, num total de 192 animais que ainda podem ser abatidos. A tendência é de aumento, porque o trabalho dos 17 veterinários, iniciado em agosto, continua.

Para o produtor, o veterinário resume a decisão em uma conta. É mais barato eliminar uma vaca do rebanho do que perder dezenas mais tarde, já que um animal contamina o outro. Há ainda o risco para a saúde da família, que tem contato diário com o gado.

Antes, segundo Monteiro, alguns produtores deixavam de fazer os exames por achar o investimento alto. “Não existe mais essa desculpa”, afirma, já que o município paga parte do custo e o veterinário vai até a propriedade.

O tempo é outra variável. Na tuberculose, depois do primeiro exame positivo, o resultado do segundo teste, que confirma se o animal precisa ser sacrificado, leva cerca de 60 dias. Na brucelose, o processo dura em torno de uma semana. A única forma de prevenir, explica Monteiro, é detectar os animais contaminados e eliminá-los do rebanho. Existe também a vacina para as novilhas, que ajuda.

A escala do que Beltrão prepara ajuda a entender o tamanho do desafio. A Secretaria de Desenvolvimento Rural espera fazer, até o fim do ano, mais de 50 mil exames de tuberculose e brucelose nas mais de 2.700 propriedades rurais que trabalham com leite. No ano anterior, foram feitos menos de 100 mil exames desse tipo em todo o Paraná. Mais de R$ 500 mil serão investidos no subsídio, e os 17 veterinários foram contratados por chamada pública.

A secretária de Desenvolvimento Rural, Daniela Celuppi, afirmou em encontro na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba, no início do mês, que a meta é chegar bem perto de 100% do rebanho. Para ela, o resultado será uma melhora significativa na qualidade do leite do município, além do ganho em saúde, já que as famílias podem contrair essas zoonoses no contato com os animais.

Quanto ao destino dos animais, há duas formas de fazer o sacrifício. Na primeira, o produtor aciona a Prefeitura para abrir valas na propriedade e a Polícia Militar para executar os animais a tiro, e depois eles são enterrados. A segunda, considerada mais adequada, é o abate sanitário, feito com acompanhamento do serviço oficial de inspeção veterinária, o que garante todos os aspectos sanitários. Nesse caso, apenas parte das entranhas é aproveitada, para a produção de graxaria.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Jornal de Beltrão

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta