ESPMEXENGBRAIND
18 set 2026
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Durante 12 semanas, adultos com sobrepeso ou obesidade colocaram laticínios integrais na rotina. O que os exames mostraram muda a conversa sobre gordura 🥛
laticínios
A gordura do leite sempre carregou a fama de vilã, mas um ensaio clínico resolveu testar a tese na prática, e o veredito veio com uma condição.

Leite com 3,25% de gordura, iogurte grego com 2% e queijo com 31%. Esse foi o cardápio de laticínios oferecido aos participantes de um ensaio clínico publicado no The Journal of Nutrition, que buscava responder a uma pergunta direta: consumir leite integral todos os dias provocaria os danos atribuídos ao teor de gordura?

Para testar, os pesquisadores acompanharam 74 adultos com sobrepeso ou obesidade durante 12 semanas. Eles foram divididos em três estratégias. Um grupo reduziu 500 calorias por dia e evitou laticínios. Outro passou a consumir três porções diárias de laticínios integrais, sem cortar calorias. O terceiro manteve a mesma quantidade de laticínios, com a alimentação livre de restrições energéticas.

No fim das 12 semanas, nenhum dos grupos apresentou variações significativas em peso corporal, composição corporal ou marcadores cardiometabólicos, os indicadores que medem a saúde cardiovascular e a resistência à insulina. Nas condições testadas, as três porções diárias de laticínios integrais não produziram os efeitos prejudiciais esperados com base apenas no teor de gordura.

A diferença apareceu no prato. Quem incluiu os laticínios integrais consumiu mais proteína e cálcio do que os demais e relatou uma sensação prolongada de saciedade, o que pode levar a uma redução natural do total de calorias ingeridas ao longo do dia.

Por trás desse resultado está um ponto que complica qualquer análise focada só na gordura: a gordura do leite nunca aparece sozinha. Ela vem envolvida com proteínas, lactose, cálcio e vitaminas do complexo B, e essa combinação é justamente o que gera a saciedade mais duradoura observada nos participantes.

A gordura também cumpre outro papel. As vitaminas A, K e D presentes no leite integral são lipossolúveis, ou seja, dependem da gordura para serem absorvidas e desaparecem quando o produto é desnatado. Além disso, segundo dados de nutrição, a gordura saturada do leite eleva o colesterol HDL, conhecido como “colesterol bom”, e o ácido butírico presente nela tem efeitos anti-inflamatórios e pode reduzir o risco de câncer de cólon.

Isso não significa que o leite integral seja superior às versões desnatada ou semidesnatada para todas as pessoas. Os guias alimentares brasileiro e americano incluem os laticínios entre os alimentos saudáveis, mas as orientações variam conforme o país e as necessidades individuais. A recomendação é não demonizar a gordura do leite nem tratá-la como isenta de considerações.

Antes de reformular a alimentação com base em resultados de pesquisas, conversar com um nutricionista é a conduta mais segura, sobretudo para quem convive com diabetes, doença renal ou dislipidemia, condições que exigem controle personalizado da ingestão de gordura e cálcio conforme o quadro clínico.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Povo

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