A Catupiry fechou um acordo para comprar a Lactojara Laticínios, empresa que responde pelas operações brasileiras da Leprino Foods, apontada como a maior fabricante de muçarela do mundo.
O negócio ainda não está fechado — falta a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade —, mas já projeta uma mudança de escala para a companhia nacional historicamente associada ao requeijão cremoso.
O que está em jogo vai muito além de uma marca trocando de dono. A operação inclui uma fábrica em Tapejara, no noroeste do Paraná, e dois postos de captação de leite, em Guaraniaçu e Santa Maria do Oeste. São essas estruturas de recebimento de matéria-prima que conectam a indústria aos produtores rurais da região — e é justamente nesse elo que a Catupiry diz enxergar espaço para estreitar parcerias, caso o negócio seja aprovado.
Para quem fornece leite nessas áreas do Paraná, a transação importa na prática: manter e reforçar essa rede de captação significa continuidade na demanda por matéria-prima e, potencialmente, relações mais próximas com uma indústria que já tem presença nacional consolidada. A companhia não estaria comprando apenas equipamentos e uma planta industrial, mas uma cadeia de fornecimento já estruturada com produtores da região.
Do lado industrial, a lógica do negócio aposta na complementaridade. A Catupiry construiu sua identidade em torno do requeijão cremoso, mas hoje já opera um portfólio com mais de 130 produtos. A Leprino Foods, fundada em 1950 em Denver, nos Estados Unidos, é referência global em muçarela e também produz ingredientes derivados do leite, como soro e lactose, voltados principalmente ao food service — o segmento de restaurantes, pizzarias e redes de alimentação que compram em escala profissional.
É justamente o food service um dos principais alvos declarados da operação. Produtos pensados para cozinhas profissionais exigem padronização, rendimento e regularidade de fornecimento diferentes dos destinados ao consumidor doméstico — um terreno em que a Leprino construiu know-how internacional e que a Catupiry busca incorporar. Some-se a isso o objetivo de ampliar a distribuição em todo o território nacional, abrindo canais que vão do varejo a distribuidores e clientes profissionais.
Ainda assim, a assinatura do acordo não equivale à conclusão do negócio. A operação segue como uma transação em andamento até que o Cade avalie eventuais impactos sobre a concorrência no setor — etapa formal que costuma anteceder a consolidação definitiva em negócios que envolvem empresas relevantes de um mesmo mercado. Só depois dessa análise fábrica, postos de captação e estruturas comerciais poderão ser efetivamente integrados à operação da Catupiry.
Se a aprovação vier, o resultado é uma companhia brasileira que soma à sua tradição no requeijão uma estrutura industrial instalada no Paraná e experiência internacional em muçarela — combinação que a própria empresa aposta como caminho para crescer em portfólio, capacidade produtiva e presença no food service brasileiro.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CPeG






