Uma vaca que produz leite de qualidade e, ao mesmo tempo, cria um macho valorizado pelo frigorífico.
Essa é a lógica por trás de um novo investimento de R$ 5,5 milhões que a Saexi está colocando em um projeto de produção leiteira em Minas Gerais, apostando na genética Simbrasil como motor de rentabilidade.
O projeto nasce de um piloto que a própria empresa já vinha conduzindo, testando a raça tanto em rebanhos puros quanto em cruzamentos com raças zebuínas especializadas e matrizes F1.
Os resultados validaram a decisão: na primeira fase de operação, a meta é chegar a 12 mil litros de leite por dia, com animais selecionados justamente pela combinação de produtividade e capacidade de adaptação ao clima tropical.
Os números individuais ajudam a entender o entusiasmo. Segundo a Saexi, há matrizes no rebanho capazes de superar 40 quilos de leite por dia, enquanto as vacas de primeira cria já ultrapassam os 25 quilos diários — patamares considerados altos para sistemas tropicais.
Esse desempenho leiteiro vem acompanhado de um traço herdado da Simental, base genética da raça: alta produção de sólidos no leite, o que abre espaço para melhor remuneração por parte da indústria.
Mas a conta da rentabilidade não se fecha só no leite. Os machos da raça apresentam elevado ganho de peso e bom rendimento de carcaça, o que permite ao produtor obter renda adicional com a comercialização desses animais.
É essa dupla aptidão — leite de um lado, carne do outro — que a Saexi aponta como diferencial estratégico do investimento, ao reduzir custos e ampliar o aproveitamento econômico do rebanho como um todo.
A escolha pelo compost barn, sistema intensivo de criação, reforça essa aposta em eficiência: o modelo exige animais rústicos, resistentes e sadios para funcionar bem, e são justamente essas as características que a empresa destaca na Simbrasil, ao lado da boa adaptação a esquemas de produção intensiva.
O investimento também tem raízes mais profundas. A Saexi mantém um programa de melhoramento genético desde 1998 e hoje conta com cerca de 5 mil matrizes, das quais aproximadamente 500 são da raça Simbrasil.
A estrutura do novo projeto ganhou força com a aquisição de um dos principais plantéis da raça voltados à produção leiteira, fruto de mais de três décadas de seleção — um trabalho que a empresa vem intensificando com o uso de controle leiteiro oficial.
O potencial da raça também aparece nos cruzamentos industriais. Touros Simbrasil têm rusticidade semelhante à dos reprodutores zebuínos, o que possibilita a cobertura a campo com boa eficiência reprodutiva. Nos cruzamentos com matrizes zebuínas e animais F1, o resultado é heterose — o chamado vigor híbrido —, além de ganhos em produtividade, desempenho reprodutivo, adaptação ao ambiente tropical e qualidade de carcaça.
Para a Saexi, o movimento reflete uma tendência mais ampla da pecuária brasileira: a busca por genética que eleve a produtividade e, ao mesmo tempo, reduza custos e amplie a rentabilidade por animal — seja pelo litro de leite produzido, seja pelo quilo de carne agregado ao final do processo.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal do Agronegócio






