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20 ago 2026
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Uma propriedade de apenas três hectares em Minas Gerais mudou sua rotina de alimentação do rebanho e viu a produção disparar 🐄
Bárbara Kallás assumiu a gestão da Fazenda da Vovó, em Minas Gerais, após um pedido feito pelo pai antes de morrer, em 2018 (Foto: Daniel Reche/Danone)
Bárbara Kallás assumiu a gestão da Fazenda da Vovó, em Minas Gerais, após um pedido feito pelo pai antes de morrer, em 2018 (Foto: Daniel Reche/Danone)

Uma fazenda de apenas três hectares no sul de Minas Gerais está entre os exemplos de como ajustes na gestão da alimentação do rebanho podem se traduzir em ganhos expressivos de produtividade leiteira, mesmo em um cenário de queda no preço do leite.

A Fazenda da Vovó, localizada em São José do Alegre, na região da Serra da Mantiqueira, produzia cerca de 2,9 mil litros de leite por dia em 2021. Em 2025, a média diária subiu para 5.394 litros. Para 2026, a projeção inicial era de 7.016 litros por dia — mas a propriedade superou essa marca e chegou a 8.700 litros diários em julho deste ano, com um rebanho de 470 vacas holandesas.

Segundo o gerente-geral da fazenda, Sebastião Manoel de Souza Júnior, o crescimento não veio da ampliação do plantel, mas da melhoria dos processos produtivos. Na comparação entre 2025 e 2026, a produção média por animal cresceu 25%, justamente no período em que o preço pago pelo leite recuou também 25%.

O foco da gestão foi o item que mais pesa no orçamento de qualquer fazenda leiteira: a alimentação do rebanho, responsável por 70% dos custos da atividade. A propriedade reduziu de 13% para 6% o índice de erro no carregamento da dieta das vacas, com meta de chegar a 3%.

Com um gasto mensal entre R$ 350 mil e R$ 400 mil apenas com alimentação, cada ponto percentual de erro evitado tem impacto direto na rentabilidade. “O leite a gente não está ganhando no real, a gente vive dos centavos. Então qualquer redução que você faça traz um resultado melhor”, afirma Sebastião.

A fazenda também investiu no conforto animal como parte da estratégia produtiva. Depois de construir um sistema de free stall, com baias individuais forradas de areia ou serragem, a propriedade avançou para um compost barn, estrutura com cama coletiva de material orgânico. A mudança ajudou a elevar a taxa de concepção do rebanho para 41%.

A meta agora é alcançar 14 mil litros de leite por dia utilizando a mesma área da propriedade, sem expandir o espaço físico. Para isso, o plano prevê investimentos em manejo de dejetos e fertirrigação, o que deve permitir produzir mais alimento para o rebanho dentro dos três hectares já ocupados.

Quando essa meta for atingida, a fazenda pretende diversificar o negócio: já iniciou a formação de gado da raça Brangus voltado à pecuária de corte, com planos de ampliar a produção de matrizes e se tornar fornecedora de genética tanto para leite quanto para corte.

Por trás dos números de produtividade está a história de Bárbara Kallás, de 50 anos, engenheira eletricista que até 2018 estava ligada ao comércio da família em São Paulo e não tinha nenhuma relação com atividade rural. A fazenda pertencia a seu pai, o empresário libanês Georges Mikhael Kallás, que a construiu em São José do Alegre.

Pouco antes de morrer, em meados de 2018, vítima de câncer, ele pediu à filha que assumisse a propriedade. “Meu pai falou: ‘Vai lá e aprende’. Eu falei: ‘Pai, eu não sei nada, eu não entendo do mato, eu não entendo de bicho'”, relembra Bárbara, que à época nem sabia que uma vaca precisa parir para produzir leite.

Cercada de assistência técnica, ela assumiu a rotina diária da fazenda — que não para nem aos sábados, domingos, feriados ou durante a pandemia. “A gente tira leite todos os dias”, diz. Hoje, Bárbara resume a mudança de vida como uma descoberta tardia: “Com 50 anos eu comecei uma produção nova, e a coisa mais linda que existe é produzir alimentos.”

A Fazenda da Vovó fornece leite à Danone há cerca de 30 anos, parceria iniciada ainda pelo pai de Bárbara. A propriedade integra a Jornada Flora, programa de agricultura regenerativa da companhia que reúne 148 pecuaristas fornecedores e já responde por 60% do volume de captação de leite da Danone, que faturou € 28,3 bilhões globalmente em 2025 (R$ 171,1 bilhões na cotação atual).

Segundo a empresa, a iniciativa reduziu em 50% o fator de emissão de dióxido de carbono e em 43% as emissões de metano desde 2020, com retorno médio de R$ 116 para cada R$ 100 investidos pelos produtores nas práticas adotadas.

Além da comercialização da produção, a fazenda participa de programas como Educampo, ComQuali e Central de Compras, que oferecem assistência técnica, compras coletivas de insumos e acesso facilitado a investimentos. O pagamento da Danone também incorpora bonificações por qualidade do leite, teor de sólidos, crescimento da produção e indicadores ambientais — que somadas representam cerca de 8% a mais no valor recebido pela fazenda.

A trajetória da Fazenda da Vovó ocorre em um setor que segue em expansão no país. Segundo a Embrapa Gado de Leite, com base na Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE, o Brasil produziu 35,7 bilhões de litros de leite em 2024, volume recorde e acima dos 35,3 bilhões registrados em 2023.

Em termos econômicos, dados do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária apontam que a cadeia do leite deve gerar R$ 74,4 bilhões em 2026 — após o recorde de R$ 76,33 bilhões em 2025 — uma expansão de quase 35% em relação aos R$ 54,96 bilhões movimentados em 2018.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Forbes

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