Depois de 43 anos vendendo carne de lata em Firminópolis, Maria Márcia Faria de Oliveira Pimenta chegou a uma conclusão que mudou sua rotina no negócio: ela não sabia, com exatidão, quanto gastava nem quanto realmente ganhava com sua produção.
A descoberta veio durante um acompanhamento de gestão financeira oferecido a produtores rurais da região, e o resultado prático foi rápido. Ao aprender a precificar corretamente seus produtos e abrir espaço em novos mercados, Maria Márcia elevou o faturamento entre 15% e 20%.
A experiência dela não é isolada. Produtores de leite, gado e alimentos artesanais de São Luís de Montes Belos e municípios vizinhos vêm passando por um processo semelhante através do programa ALI Rural, iniciativa do Sebrae Goiás voltada à reorganização das contas no campo. Na última terça-feira, dia 5, quase 50 pessoas se reuniram para conhecer de perto os resultados já obtidos por quem participa do acompanhamento neste ciclo.
O funcionamento do programa é o que explica, em parte, os resultados. Um Agente Local de Inovação (ALI) acompanha até 20 propriedades por grupo, atuando diretamente na gestão das contas, na precificação dos produtos e nas estratégias de comercialização de cada uma delas. Não existe um modelo único aplicado a todos: o plano de ação é montado conforme o tipo de produção e a cadeia produtiva de cada propriedade, respeitando a realidade de quem está à frente do negócio.
Cássia de Siqueira, gestora estadual do ALI do Sebrae Goiás, destacou o nível de engajamento dos produtores justamente por essa personalização do acompanhamento — cada propriedade recebe orientações pensadas para o seu próprio contexto, e não uma receita genérica de gestão.
Os números do programa reforçam o que a história de Maria Márcia já sugeria. A expectativa inicial do ALI Rural é superar 12% de aumento na produtividade dos participantes, mas alguns produtores do ciclo atual já apresentam ganhos em faturamento acima dessa marca, especialmente quando conseguem unir melhorias na gestão financeira com uma precificação mais correta dos seus produtos.
O ciclo em andamento se encerra em 2026, e um novo período de acompanhamento já tem data para começar: agosto de 2026, com agentes selecionados por experiência prévia em agronegócio. As inscrições para essa nova etapa já estão abertas e são gratuitas, podendo ser feitas pelo Sebrae Regional Oeste, tanto pelo WhatsApp quanto pelo site da instituição.
Elenimar Borges, gestora do ALI na Regional Oeste, convida os produtores interessados a formalizar a inscrição. Segundo a proposta do programa, o acompanhamento tem foco em ações de curto prazo, mas prevê intervenções maiores sempre que a realidade da propriedade exigir — um caminho voltado a quem busca reorganizar as contas e, a partir daí, ampliar a produção.
Do lado das entidades locais, o movimento também já começou. Adriana Rodrigues Ferreira, diretora do Sindicato Rural de Firminópolis, está se mobilizando para levar a oportunidade a mais produtores da região no próximo semestre. Para ela, iniciativas como essa são o que sustenta a continuidade e o crescimento da produção agrícola local — um efeito que, no caso de Maria Márcia, já saiu do papel e apareceu direto no faturamento.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural






